Ronaldo Silva Santos, criador de amizades

Amar o Guará vai além de ter um endereço na cidade. É se sentir acolhido pelas pessoas, criar vínculos, construir confiança e perceber que parte da própria história foi escrita ali. Para Ronaldo Silva Santos, conhecido no Guará como Vovô, esse sentimento começou ainda na adolescência e permanece vivo mais de três décadas depois.

Baiano, Ronaldo chegou ao Guará em 1995, aos 14 anos, acompanhado da mãe e de um irmão. Parte da família ficou no Nordeste, e foi no Guará que ele encontrou o lugar para começar uma nova etapa da vida. Morou durante 12 anos na cidade, estudou nas QEs 26 e 13 e guarda lembranças de uma juventude inteira construída entre as quadras do Guará II.
“Eu amo o Guará porque foi um lugar que me acolheu. Aqui eu criei laços. Quando cheguei, me apaixonei logo de cara pelas pessoas, que sempre foram muito acolhedoras”, conta.
Desde 2000, Vovô trabalha no estacionamento da QE 7, no Guará I. São 26 anos de convivência diária com moradores e comerciantes, primeiro lavando carros e, com o tempo, conquistando uma relação de confiança que se tornou uma das marcas de sua trajetória. Muitos clientes deixam as chaves dos veículos com ele sem preocupação, resultado, segundo Ronaldo, de uma relação construída ao longo dos anos.
“Confiança não se constrói do dia para a noite. Tenho que passar segurança para as pessoas e manter essa lealdade com quem confia em mim. Se não fosse isso, eu não estaria aqui até hoje”, afirma.
Foi também no Guará que ele encontrou pessoas que ajudaram a mudar sua história. Uma delas foi dona Ambrósia, moradora da QE 30, no Guará II. Ronaldo a conheceu ainda jovem, quando lavava carros. Ela passou a chamá-lo para pequenos serviços em casa e, pouco depois, ele começou a atender também os vizinhos. Vieram roupas, calçados, oportunidades e, principalmente, novos vínculos.
Por isso, além da QE 7, onde trabalha até hoje, duas quadras permanecem especialmente guardadas na memória: a QE 30 e a QE 38, onde morou por vários anos. São lugares associados à amizade, ao acolhimento e ao início de uma vida profissional que continua até hoje.
Ao longo desse tempo, Ronaldo também acompanhou de perto as transformações do Guará. Viu a cidade crescer, novas edificações surgirem, as vias serem ampliadas, as estações do metrô chegarem e o Polo de Modas ocupar uma área que, segundo ele, antes era usada para descarte de lixo.
“Eu acompanhei tudo isso. Vi o Guará mudar. Posso dizer que sou um guaraense de coração. Só não moro mais aqui, porque minha adolescência, minha juventude e uma parte muito importante da minha vida foram aqui.”
Hoje, Ronaldo mora em Ceilândia, é pai de dois filhos e continua chegando todos os dias ao Guará para trabalhar. Quando sobra um tempo entre um carro e outro, ainda encontra espaço para uma partida de dominó com os amigos, uma tradição que ele também associa à convivência da cidade.
Mesmo morando em outra região administrativa, é no Guará que ele diz se sentir em casa.
“Minha paixão ficou aqui. Foi daqui que tirei e continuo tirando o sustento da minha família. Só tenho a agradecer aos meus clientes, às pessoas do Guará e a essa cidade maravilhosa que me acolheu.”