Onã fala do daltonismo em novo cordel

Novo trabalho de Onã Silva usa a literatura de cordel para falar sobre as dificuldades, adaptações e preconceitos enfrentados por pessoas que não distinguem determinadas cores

A escritora Onã Silva lança O Menino que Confundia as Cores – Cordel do Daltonismo, obra que transforma em versos situações vividas por pessoas daltônicas no cotidiano. A história foi inspirada nos relatos do jornalista Rafael Souza, que é daltônico e colaborou com a autora na construção do argumento do cordel. O trabalho tem participação de Nicolas Augusto, filho de Onã Silva, que também é responsável pelo projeto gráfico e pela diagramação da publicação.
Na obra, Onã acompanha a trajetória de um menino que, desde a infância, percebe as cores de maneira diferente. Sem compreender inicialmente por que enxerga determinadas tonalidades de outra forma, o personagem enfrenta dúvidas, constrangimentos e até brincadeiras dos colegas antes de descobrir o daltonismo.
Na apresentação do livro, Rafael Souza conta que cresceu confundindo cores e que, durante a infância, nem sempre era fácil perceber que aquilo que enxergava não correspondia exatamente ao que as outras pessoas viam. Segundo ele, situações aparentemente simples, como escolher uma roupa, identificar uma cor ou compreender um desenho, podem provocar constrangimentos quando não existe informação sobre o daltonismo.

Literatura e cuidado
Conhecida como a Poetisa do Cuidar, Onã Silva mantém uma produção literária marcada pela aproximação entre literatura, saúde, educação e inclusão. Enfermeira, escritora e cordelista, ela utiliza com frequência a linguagem popular para transformar temas relacionados ao cuidado em histórias acessíveis a diferentes públicos.
Em O Menino que Confundia as Cores, essa característica aparece na opção de abordar o daltonismo pelo olhar de uma criança e por situações comuns da infância. Em vez de apresentar apenas conceitos técnicos, o cordel mostra como a dificuldade para distinguir cores pode interferir na escola, nas brincadeiras e na convivência social, ao mesmo tempo em que reforça a importância da informação para reduzir constrangimentos e preconceitos.