Ciclofaixa do Guará II – Quatro anos de silêncio intencional

Após três anos e meio de interrompida por protestos da comunidade, obra continua como está e ninguém fala mais nada. Secretaria de Habitação culpa o Detran, que devolve a responsabilidade à própria Seduh

Há mais de quatro anos do início da obra e há três anos anos e meio que ela foi interrompida após intensos protestos da comunidade, a parte da ciclofaixa do Guará II que foi concluída continua do mesmo jeito, apesar da promessa da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) e do Detran de promover adequações para minorar as reclamações de motoristas e pedestres. E ninguém do governo tem falado mais no assunto. A impressão é que o silêncio é proposital até aguardar o esquecimento ou a aceitação pelos moradores. Em parte, a estratégia vem dando certo, porque os próprios moradores não lembram e nem criticam mais a obra. Raramente alguém cita o assunto nas redes sociais. A única informação nova, embora vaga, é do secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Vaz, durante a audiência pública do Plano de Intervenção Urbana (PIU) do Guará, ao afirmar que o órgão continua aguardando uma posição do Detran sobre possíveis alterações que possam melhorar o acesso de veículos no gargalo até o semáforo em frente à estação do metrô e avenida contorno. Questionado pela reportagem do Jornal do Guará se o Detran ainda não havia encaminhado as sugestões, mesmo há dois anos da promessa, ele respondeu que “a resposta não satisfez à Seduh”, sem apresentar mais detalhes. O Detran, por sua vez, respondeu ao JG que as sugestões já foram apresentadas à Seduh, ou seja, considera que já foi atendida a demanda.
A única providência de fato até agora foi a interrupção do projeto na parte que previa interferências na via central até a QI 33, no final do Guará II. O trecho 1, que sofreu alteração, e que provocou acaloradas discussões entre governo e comunidade seis meses de iniciada a obra, continua do mesmo jeito, com o estreitamento da pista e a demarcação de estacionamento nas laterais.
Mesmo com a cobrança de uma posição da Seduh e do governo, o administrador regional Artur Nogueira afirma que não tem recebido respostas sobre as adequações prometidos no trecho pronto. “Há dois anos não recebo qualquer retorno da Seduh sobre a ciclofaixa”, afirma.

Promessa de adequações completa três anos
Depois de várias reuniões entre representantes do governo e da comunidade, parecia que havia a intenção – por parte do governo -, de promover algumas adequações à obra, para minimizar os impactos no trânsito, provocados pela redução de uma pista da via central e aplacar a ira dos motoristas. Pelo menos foi o que ficou acordado na última reunião entre as duas partes, em agosto do 2022, portanto, há exatos três anos. De lá para cá, foi só “enrolação”. A Seduh tinha prometido apresentar um projeto elaborado pelo Detran com propostas de alterações ao que já foi feito, mas até agora, nada. Na última reunião, os representantes do governo – Secretaria de Cidades, Seduh, Administração Regional do Guará e Detran – sinalizaram que estavam dispostos a rever a construção dos trechos restantes da ciclofaixa na via central do Guará II e até desmanchar parte do que tinha sido foi feito ou readaptá-lo à realidade, uma vez que o projeto tinha sido elaborado há mais de dez anos.
A reunião foi promovida pela Secretaria de Cidades com representantes de Detran, Secretaria de Mobilidade (Semob), Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) e Administração Regional, inicialmente para analisar as modificações propostas pelo Detran que haviam sido solicitadas pela Seduh. Mas, diante da resistência das lideranças comunitárias presentes, o então secretário de Cidades, Valmir Lemos, concordou em estudar alterações mais profundas no projeto a partir das sugestões dos moradores, mas contemplando também as reivindicações dos ciclistas.
Na reunião, o então secretário garantiu a disposição do governo de ouvir as sugestões e tomar as decisões que contemplassem o que a maioria da comunidade defendia para a obra.
O Detran havia proposto a redução do canteiro central, a redução dos dois gargalos no início (ao lado dos semáforos entre Guará I e II, ao lado do comércio) e no final do QI 23 (em frente ao quadradão da 4ª Delegacia), para a criação de mais uma faixa dos dois lados da via, e a abertura de baias para a parada dos ônibus sem ocupar parte da pista. Propôs também nivelamento das calçadas à pista nas passagens de pedestres, para facilitar o acesso de cadeirantes.
Os representantes dos moradores sugeriram ainda a retirada dos estacionamentos demarcados dos dois lados da via para possibilitar a abertura de mais uma faixa. Como o Detran “oficializou” as vagas de estacionamento que eram ocupadas informalmente pelos moradores, foi anunciada uma nova reunião para uma semana depois, quando seriam apresentadas sugestões por parte do Detran a partir das críticas e sugestões dos representantes dos moradores. Depois de fechadas as alterações em consenso das duas partes – moradores e governo – o projeto seria submetido à audiência pública, aberta à comunidade, para definir os destinos da ciclofaixa.