O retorno para casa, que costuma representar descanso e segurança, tem sido motivo de apreensão para moradores do Edifício Euzébio Pires Araújo II, na QE 38 do Guará, ao lado via para o Núcleo Bandeirante. Segundo os moradores do prédio e de casas próximas, uma matilha com pelo menos cinco cães de grande porte permanece solta nas imediações e tem atacado quem circula pela rua, levando a mudanças de rotina e a um clima de medo entre residentes e pedestres.
De acordo com o síndico do edifício, Israel Passos, os episódios se repetem desde novembro de 2025 e, desde então, ao menos sete ataques foram registrados. Ele afirma que, além de moradores, pessoas que passam pelo local a pé e entregadores também foram vítimas. A preocupação, segundo ele, se estende a idosos e crianças e inclui o receio no momento de abrir o portão da garagem para entrar ou sair, por causa da presença frequente dos animais na via.
Entre os casos relatados está o da servidora pública aposentada Zuila Maria Chaves, de 70 anos, que diz ter sido atacada enquanto passeava com Romeu, cão da família da raça maltês. Segundo ela, após o cachorro latir, cinco cães avançaram na direção dos dois. No momento de tentativa de proteção, a coleira teria se soltado e um dos animais mordeu Romeu na parte traseira do corpo. O cão precisou levar quatro pontos de um lado do quadril e mais dois em uma das pernas traseiras. Zuila também relata ter sofrido mordidas na mão e precisou ser encaminhada a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para receber vacinação.
A moradora afirma que, além das lesões, o episódio alterou a rotina e trouxe consequências emocionais. O passeio com o animal deixou de acontecer nas proximidades do prédio e passou a ser feito em outros locais, para onde ela se desloca de carro. Ela relata medo ao ver cães na rua, mesmo dizendo manter apreço por animais.
Os riscos das mordidas
A infectologista Lívia Pansera, presidente do Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF), alerta que mordidas de cães podem provocar infecções bacterianas e, em situações específicas, risco de morte pela transmissão de raiva. A médica explica que a saliva pode conter microrganismos capazes de causar inchaço, dor, secreção e até sepse. Ela destaca que ferimentos profundos, especialmente em mãos e braços, exigem atenção por poderem comprometer tendões, ossos e a função do membro.
Sobre a origem dos cães, o síndico afirma que os animais seriam de responsabilidade de uma moradora de uma casa em frente ao edifício e que eles seriam deixados soltos com frequência. Ele diz, porém, que a moradora nega ser a tutora, o que, segundo o relato, tem dificultado a retirada dos animais do local. Israel Passos informa que uma equipe de Zoonoses esteve no prédio na quarta-feira, 11 de fevereiro, conversou com responsáveis, mas não houve definição de solução, e que, no mesmo dia, uma adolescente teria sido atacada.
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informa, através de nota, que “não compete à Gerência de Vigilância Ambiental de Zoonoses (GVAZ) o recolhimento de animais em condições de possíveis maus-tratos, situações de acumulação e/ou abandono, nem o atendimento a denúncias fora do previsto em normativo”. Após o ataque mais recente, a Administração Regional do Guará informa ter enviado equipe ao local e constatado que não se trata de cães abandonados, com tutora identificada e responsável pelos animais. E que “foi formalizado pedido de apoio à Zoonoses, apontada como responsável por esse tipo de ocorrência, para adoção das providências cabíveis”.
(Com informações do Metrópoles)










