Sandra Faraj transforma pauta da segurança digital em bandeira política

Subsecretária da Mulher do DF, deputada distrital suplente e pré-candidata a deputada federal, ela afirma que o combate aos riscos da internet para crianças e adolescentes se tornou uma missão pessoal e uma frente permanente de atuação

A ex-deputada distrital Sandra Faraj tem colocado a segurança digital no centro de sua atuação pública. Subsecretária da Mulher do Distrito Federal, deputada distrital suplente e pré-candidata a deputada federal, ela afirma que o enfrentamento aos riscos da internet para crianças e adolescentes deixou de ser apenas uma pauta institucional e passou a ocupar lugar central em sua trajetória recente. Em visita ao Guará esta semana, Sandra apresentou o projeto “Desafio não é brincadeira” como o principal eixo de trabalho da Subsecretaria de Transformação Tecnológica e Inovação Feminina e disse que a iniciativa nasceu de uma urgência real, percebida a partir de casos concretos e da crescente insegurança vivida por famílias diante do ambiente virtual.
Segundo Sandra Faraj, o projeto ganhou forma logo após a morte da menina Sara Raíssa, de 8 anos, em Ceilândia, em um episódio relacionado a um desafio da internet, ao inalar desodorante. Ela relata que havia acabado de assumir a subsecretaria quando foi procurada por uma diretora de escola, preocupada com o medo dos pais e com a necessidade de dar uma resposta imediata à comunidade escolar. Em poucos dias, a primeira versão da palestra foi organizada e apresentada aos responsáveis. A partir dali, o que começou como uma ação emergencial se transformou, nas palavras da própria Sandra, no carro-chefe da secretaria.
A deputada distrital suplente afirma que hoje o projeto realiza entre 30 e 40 palestras presenciais por mês em diferentes regiões administrativas do Distrito Federal. O conteúdo é voltado a pais, responsáveis, educadores, lideranças comunitárias e jovens, com orientações sobre crimes cibernéticos, aliciamento em jogos on-line, assédio, golpes digitais, ciberbullying e desafios perigosos disseminados em redes sociais e plataformas de comunicação. “O nosso principal desafio está em aproximar as famílias de uma realidade que muitas vezes ainda é subestimada dentro de casa. Na avaliação dela, crianças e adolescentes já vivem grande parte da rotina nesse ambiente e, por isso, o problema não pode mais ser tratado como algo periférico”, afirma.

Extrapolando os limites do DF
Ao falar sobre sua atuação, Sandra Faraj sustenta que a pauta se expandiu para além dos limites administrativos do cargo. Nesta entrevista ao Jornal do Guará, ela afirma que o projeto extrapolou as barreiras da secretaria e se transformou em um compromisso de vida. Mesmo com a possibilidade de deixar a função por causa do calendário político, ela diz que continuará ligada à iniciativa como especialista convidada, mantendo o trabalho de orientação e mobilização em torno do tema. A declaração reforça o tom pessoal que ela tem dado à agenda, apresentada não apenas como programa de governo, mas como causa pública ligada à proteção de famílias e à prevenção de tragédias.
Sandra relata que os resultados aparecem principalmente na mudança de comportamento dos pais após as palestras. Segundo ela, muitas famílias passaram a observar de forma mais atenta a vida digital dos filhos e a reconhecer sinais de risco que antes passavam despercebidos. Na entrevista, ela cita um caso ocorrido no Guará, em que uma mãe decidiu conversar com o filho depois de participar de uma palestra. “A partir dessa conversa, a família descobriu uma situação grave envolvendo ameaças articuladas por meio do ambiente digital”, relata. Para Sandra, episódios desse tipo mostram que o acesso irrestrito à internet por crianças e adolescentes precisa ser debatido com mais seriedade e com maior participação das famílias.
Ao defender a ampliação do debate, Sandra Faraj afirma que o projeto pode ser levado ao Guará por meio de escolas, igrejas, associações, entidades filantrópicas, condomínios e outros espaços com capacidade de reunir moradores. A proposta, segundo ela, é tratar o tema como serviço de utilidade pública, levando informação acessível para diferentes perfis de comunidade. Na avaliação da subsecretária, os riscos da internet não obedecem recorte social e atingem famílias de todas as classes, o que torna a prevenção ainda mais necessária.
Além da agenda de segurança digital, Sandra também associa sua atuação ao fortalecimento da inclusão tecnológica para mulheres no Distrito Federal. Na entrevista, ela cita as ações da Subsecretaria de Transformação Tecnológica e Inovação Feminina, que, segundo dados apresentados no material, alcançaram mais de 22 mil pessoas em diferentes regiões administrativas. Entre os programas mencionados está o ElavAI, voltado à capacitação de mulheres em marketing digital, inteligência artificial e habilidades práticas para o mercado de trabalho. Ao comentar o programa, Sandra afirma que o acesso à tecnologia deve ser tratado como ferramenta de autonomia econômica, autoestima e inserção produtiva.
Ao se apresentar como alguém que acompanha diariamente as mudanças do ambiente digital, revisa conteúdos de palestras e articula novas frentes de orientação, Sandra Faraj busca consolidar sua imagem pública ligada à proteção de crianças, adolescentes e famílias. No cenário atual, em que o debate sobre os limites das plataformas digitais ganha força em diferentes esferas, ela aposta na combinação entre informação, prevenção e presença comunitária para transformar uma demanda urgente em pauta permanente no Distrito Federal.
Mais do que relatar um programa em andamento, Sandra Faraj procura afirmar uma identidade política e social construída a partir dessa atuação. Ao vincular seu nome ao enfrentamento dos perigos da internet e à defesa de políticas de inclusão digital, ela tenta ocupar um espaço de protagonismo em uma agenda que dialoga diretamente com o cotidiano das famílias. “A expectativa é de que esse trabalho continue se expandindo, inclusive no Guará, onde a proposta é aproximar o debate da realidade das escolas, das comunidades religiosas, das associações e dos espaços de convivência da cidade”, completa.