Conversei com dona Josefa Farias Félix, de 84 anos, uma mulher que conhece o Guará a partir da própria experiência de vida. Recepcionista na Administração Regional do Guará, ela atende moradores todos os dias com um sorriso no rosto e uma disposição admirável. Sua história na cidade começou em fevereiro de 1974, quando deixou o Ceará e chegou ao Guará com seis filhos pequenos, em um tempo em que muita coisa ainda estava começando.
“Eu vim do Nordeste, vim do Ceará, meus filhos todos pequenininhos, seis filhos, e criei todos aqui no Guará”, me contou. Desde então, nunca mais saiu da cidade. Dona Josefa se estabeleceu na QI 10, no Guará I, e permanece até hoje na mesma casa. Foi ali que viu os filhos crescerem, acompanhou o nascimento do Guará II e construiu uma ligação profunda com o lugar que escolheu para viver. “Eu fiquei morando no Guará 1 e por isso eu amo tanto o Guará”, disse.
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Ao longo de mais de cinco décadas, ela acompanhou de perto a transformação da cidade. Viu o Guará crescer, ganhar novas estruturas, ampliar os serviços e se consolidar como uma das regiões mais queridas do Distrito Federal. “Cresceu muito, né? Em tão pouco tempo. Hoje o Guará é uma cidade maravilhosa”, diz, orgulhosa. Entre as mudanças que mais chamam sua atenção estão a chegada do metrô e a organização atual da cidade, avanços que ela não imaginava quando desembarcou aqui pela primeira vez. “Não imaginei que tivesse um metrô, não imaginei que tivesse uma administração assim como essa aqui”, relembra.
A memória também guarda imagens da antiga feira, ainda pequena, com barracas de lona e uma estrutura bastante simples. Dona Josefa se recorda do tempo em que, quando chovia, tudo se molhava e as dificuldades eram maiores. Hoje, ao comparar aquele começo com a feira consolidada que o Guará tem, ela enxerga o quanto a cidade avançou e se fortaleceu ao longo dos anos.
Mas o que mais chama atenção em sua história é a permanência. Dona Josefa nunca pensou em sair do Guará. “Nunca”, responde com firmeza quando pergunto se em algum momento cogitou deixar a cidade. Essa certeza está ligada ao sentimento de pertencimento que construiu com o passar do tempo e também à segurança que diz encontrar no bairro. “A minha casa, a única casa que não tem muro, é a minha casa, nunca fui assaltada”, conta, com a tranquilidade de quem se sente protegida no lugar onde vive.
Hoje, além de moradora, ela também ajuda a cuidar das pessoas que chegam à Administração Regional. Gosta de receber, conversar e atender bem. Antes de começar o trabalho, faz diariamente uma oração. “Eu faço uma oração todo dia quando eu chego. Peço a Deus por tudo, inclusive para aqueles que nos procuram, para que da melhor maneira possível a gente possa atendê-los”, afirma. Para ela, trabalhar na cidade que tanto ama é uma alegria. “Ah, é um prazer muito grande. Eu gosto de falar com as pessoas, eu gosto de receber as pessoas.”
Aos 84 anos, dona Josefa continua ativa e cheia de disposição. Dirige, trabalha, mantém a rotina e segue demonstrando um carinho evidente pelo Guará. Sua história se confunde com a própria trajetória da cidade, desde os tempos mais simples até a estrutura que existe hoje. Ao ouvi-la, fica claro que esse amor não está apenas nas lembranças, mas também na forma como ela vive e serve a comunidade todos os dias.










