Cappelli no Guará

Pré-candidato ao GDF pelo PSB passa a semana na cidade, visita moradores durante a pré-campanha e esteve na redação do Jornal do Guará para falar sobre a campanha

O pré-candidato ao Governo do Distrito Federal pelo PSB, Ricardo Cappelli, esteve nesta quarta-feira, 6 de maio, na redação do Jornal do Guará, durante a semana em que acompanha de perto a rotina da cidade. A visita faz parte de uma agenda de pré-campanha em que ele tem percorrido as regiões administrativas do DF, permanecendo uma semana em cada localidade, dormindo na casa de apoiadores, usando o transporte público e conversando com moradores, lideranças comunitárias e profissionais de diferentes áreas.
Cappelli iniciou esse roteiro em janeiro de 2025, com uma semana no Sol Nascente, e desde então tem buscado conhecer o que chama de “Distrito Federal real”, em contraponto à imagem mais conhecida de Brasília ligada à Esplanada dos Ministérios e aos cartões-postais da capital. Segundo ele, a experiência nas cidades tem mostrado diferenças profundas entre a área central e a realidade vivida por grande parte da população nas regiões administrativas.
Ao responder às críticas de oponitores de que é um “forasteiro em Brasília”, Cappelli lembrou que veio para Brasília em 2003, no primeiro governo Lula, para trabalhar no Ministério do Esporte, e ressaltou que, embora viva no DF há 23 anos, nunca disputou eleição local e nem participou de governos. “O lado bom de ser chamado de ‘forasteiro’ é que não fui contaminado pelas mazelas da política local, até então controlada por grupos que só fizeram mal ao DF”, afirmou.
Outro ponto abordado foi sua atuação como interventor federal na segurança pública do Distrito Federal após os atos de 8 de janeiro de 2023. Capelli classificou o período como difícil e afirmou que a missão central foi restabelecer a ordem e devolver a normalidade à segurança pública. Ele garanteiu ainda que buscou diferenciar responsabilidades individuais de eventuais falhas institucionais, destacando que manteve relação de confiança com as forças de segurança do DF.

A visita ao Jornal do Guará integra uma série de encontros do pré-candidato com veículos locais, moradores e representantes da sociedade civil. Durante a entrevista, Ricardo Cappelli reforçou que pretende continuar percorrendo as cidades do DF para reunir informações sobre demandas locais e apresentar propostas ao longo do processo eleitoral

Gestão das cidades
Ao tratar da gestão das cidades, Cappelli criticou o modelo atual das administrações regionais, “que perderam orçamento, autonomia e capacidade operacional, deixando de funcionar como estruturas efetivas de atendimento à população e se transformaram em moeda de troca pelo apoio ao governo e cabide de emprego para cabos eleitorais dos amigos do rei”. O pré-candidato ao governo defende que as regiões administrativas passem a atuar como “prefeituras de fato”, com orçamento próprio, participação popular e condições mínimas para cuidar da zeladoria urbana.
Cappelli informa que vai permanecer no Guará até domingo, 10 de maio, dentro da programação da semana de aniversário da cidade. “Já visitei a área de saúde e constatei a precariedade do atendimento à população, especialmente no Hospital do Guará, e às dificuldades de acesso a serviços básicos”. O pré-candidato ao governo também criticou o atraso nas obras da Upa do Guará, “que deveriam já estar concluídas, de acordo com a previsão do próprio governo”.
A saúde foi um dos temas mais enfatizados na entrevista. Capelli criticou a falta de integração dos sistemas de informação, a ausência de prontuário eletrônico integrado e a gestão das UPAs pelo Iges-DF. Segundo ele, a fragmentação dos sistemas dificulta o atendimento e prejudica a regulação dos pacientes. O pré-candidato afirmou que, caso eleito, pretende rever o modelo de gestão do instituto e até extingui-lo, se não for provada sua eficiência e necessidade.
Inovação
Na área de inovação, Cappelli defendeu que o Distrito Federal tem condições de se tornar um polo tecnológico, citando a presença de universidades, servidores qualificados, empresas públicas e boa infraestrutura urbana. E afirmou que falta um projeto de desenvolvimento que vá além da construção civil e do mercado imobiliário, setores que, segundo ele, seguem ocupando papel central na economia local. Para Cappelli, Brasília poderia assumir uma vocação ligada à tecnologia, à sustentabilidade e ao governo digital.
O pré-candidato também citou experiências de gestão digital em outras cidades, como Recife, e afirmou que o DF precisa avançar na oferta de serviços públicos por meios digitais, com integração de dados e comunicação direta com o cidadão. Ele criticou sistemas contratados pelo governo que, segundo relatos de professores e profissionais ouvidos por ele, não estariam funcionando adequadamente.
Na educação, Cappelli afirmou que o Distrito Federal precisa retomar o investimento em ensino integral e criticou a quantidade de professores temporários na rede pública. Para ele, a presença majoritária de contratos temporários prejudica o planejamento pedagógico e compromete a qualidade do ensino ao longo do ano letivo.