Investigado, ex-líder religioso está na UTI

Preso desde dezembro de 2025, acusado de oito casos de estupro e importunação sexual numa igreja do Guará, Gabriel de Sá Campos apresenta quadro de insuficiência múltipla de órgãos

Pivô de um escândalo que ultrapassou as fronteiras da cidade, pelo fato de envolver uma pessoa que deveria apresentar uma reserva moral exemplar, o ex-líder religioso Gabriel de Sá Campos, de 30 anos, investigado por estupros e importunação sexual contra adolescentes em uma igreja evangélica no Guará, está internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Daher (de acordo com os últimos boletins médicos nesta quinta-feira, 21 de maio), ele apresenta uma infecção urinária que evoluiu para insuficiência respiratória aguda e sepse urinária.
Preso desde dezembro de 2025, acusado de oito estupros de vulnerável e importação sexual de adolescentes no meio dos frequentadores da igreja que ajudava na liderança, Gabriel foi transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda em fevereiro. Ele deu entrada no Hospital Regional da Asa Norte (Hran) em 12 de maio, sendo transferido na madrugada do dia seguinte, em caráter de emergência, para o Hospital Daher.
O quadro clínico teria evoluído com sintomas como febre, tosse, dores abdominais, dor de cabeça, falta de ar e alteração na coloração da urina. Na UTI, foi necessária a intubação orotraqueal e o uso de altas doses de noradrenalina para manutenção da pressão arterial. Posteriormente, houve agravamento para insuficiência múltipla de órgãos, levando a equipe médica a adotar cuidados paliativos diante da irreversibilidade do caso.
A Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape) informou que não divulga dados sobre custodiados em razão da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Até o fechamento desta edição, não houve retorno do hospital nem da defesa do investigado.

Investigação aponta
crimes em série
Gabriel de Sá Campos é investigado pela 4ª Delegacia de Polícia (Guará), que apura oito casos de estupro de vulnerável e importunação sexual envolvendo adolescentes do sexo masculino. Segundo as investigações, os crimes teriam ocorrido ao longo de pelo menos seis anos, período em que o suspeito atuava como líder do Ministério de Adolescentes da Igreja Batista Filadélfia, entre as QEs 24 e 26 do Guará II.
Parte dos abusos teria ocorrido durante atividades ligadas à igreja, incluindo uma festa do pijama organizada sob sua responsabilidade. Outros casos teriam acontecido na residência do suspeito, após convites para sessões de cinema. As investigações apontam ainda que Gabriel participava como instrutor de um curso de “integridade sexual” promovido pela própria congregação. Segundo os investigadores, ele utilizava o ambiente para obter informações pessoais e identificar vulnerabilidades emocionais dos adolescentes.
Os relatos reunidos no inquérito descrevem episódios de importunação e abusos recorrentes. Algumas vítimas afirmaram que tentavam evitar ficar sozinhas com o investigado e, em determinados casos, pediam aos pais para serem buscadas antes do término das atividades.
Igreja também é
citada no inquérito
A investigação também menciona a atuação de integrantes da liderança da Igreja Batista Filadélfia após a revelação dos casos. Conforme consta nos autos, familiares de vítimas relataram que o pai do investigado, presidente da congregação, teria tratado os episódios como “brincadeira” e solicitado silêncio às famílias.
O inquérito aponta ainda que, em uma reunião interna realizada em novembro de 2025, um diácono teria sugerido um “pacto de sigilo”, afirmando que os problemas da igreja deveriam ser resolvidos internamente e não levados à polícia. Há ainda relatos de que a mãe do investigado teria pressionado adolescentes e familiares após o surgimento das denúncias.
Embora uma carta de afastamento tenha sido apresentada à congregação, testemunhas afirmaram à polícia que Gabriel continuou frequentando cultos e áreas restritas da igreja até o cumprimento da prisão preventiva.