Urbanos Observatório completa um ano

No hiato criado pela falta de iniciativas públicas, o espaço coletivo virou referência cultural e social no Guará

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Helio Gazu e Expedito Veloso (ao centro), coordenadores, com Afrânio Negreiros e Fernando Neto, apoiadores

por Leo Saraiva

Idealizada como uma casa de uso coletivo para acolher projetos, eventos e empreendimentos ligados à arte, à cultura e ao protagonismo social, o Urbanos Observatório celebrou, no último mês de janeiro, seu primeiro ano de atividades como um dos mais importantes e potenciais espaços de criação e vivência entre artistas, criadores, empreendedores entre outros agentes culturais, residentes ou não no Guará. Um verdadeiro celeiro pulsante de fomento, troca de ideias e experiências, provocação, discussão, encaminhamento e desenvolvimento de projetos culturais e iniciativas de promoção da cidadania, em suas mais variadas formas.

Clowns: artistas tem espaço garantido no Urbanos

Localizada no conjunto J da quadra 13 do Guará 2, a casa fica estrategicamente situada em uma área de intensa movimentação popular, em frente à Feira e à administração e próxima ao calçadão que circunda o Guará e que é usado pela comunidade para a prática de caminhadas bem como perto da estação do Metrô. O espaço iniciou suas atividades no mês de janeiro de 2017 oferecendo, de forma gratuita, em parceria com o Clube do Blues de Brasília, uma oficina de gaita com o renomado músico carioca Jefferson Gonçalves.

 

O espaço

Desde então, o Urbanos Observatório – um imóvel com amplo espaço externo e interno e diversos ambientes – já abrigou de forma orgânica, aberta e gratuita uma série de eventos, entre eles reuniões para idealizações de projetos, oficinas, shows, saraus, mesas de discussão, happenings coletivos e mesmo encontros de grupos de ajuda, como o comovente trabalho realizado pelo grupo API – Apoio a Perdas Irreparáveis, cuja principal atividade é reunir pais, filhos e irmãos que sofrem com mortes de entes queridos e que buscam a superação da angústia por meio da troca dessa dolorosa experiência com outras pessoas em iguais condições.

Reunião da API no Urbanos: acolhimento e emoção

‘O espaço oferecido pelo Urbanos para as reuniões da API possibilitou, de forma valiosa, um apoio para inúmeras pessoas que muitas vezes ‘vagam’ à procura de um grupo que possa atender e entender a dolorosa experiência com o enfrentamento do luto’, afirma a professora Vânia Borges de Carvalho, uma das coordenadoras da API e autora do livro ‘Pérolas do Asfalto’, em que narra a trágica experiência do acidente que vitimou toda a sua família.

 

Coordenado pelo ex-diretor do Banco do Brasil e professor universitário aposentado, Expedito Veloso, e pelo ativista cultural e músico Hélio Gazu, o Urbanos Observatório mantém uma agenda diversificada, semanalmente atualizada pela intensa procura de agentes culturais e artistas, motivados pelo espaço generoso e versátil e pela liberdade que a casa oferece aos seus frequentadores para a realização de projetos ou discussão de temas de interesse plural.

‘A ideia de abrir uma casa como o Urbanos surgiu de uma demanda reprimida da comunidade do Guará por um espaço onde os seus agentes pudessem viabilizar inúmeros projetos com uma estrutura básica mínima. À medida que a casa foi se afirmando e o seu protagonismo reconhecido, as demandas dos artistas, músicos, produtores e dos segmentos diversos da sociedade organizada foram sendo naturalmente absorvidas pelo espaço’, relembra Expedito Veloso.

Atividades

Entre as diversas atividades regulares e eventos que a casa já abrigou, merecem destaque a exposição fotográfica coletiva Três Por Quatro, uma exposição coletiva de artistas da Galeria Alfinete, a oficina O Palhaço Interior, ministrada pelo clown Cláudio Moraes, a mostra de filmes Cine Urbanos, diversas atividades do coletivo feminista Mulherauos encontros mensais do grupo Sagrado Feminino, além de inúmeras oficinas, palestras e reuniões de coletivos culturais do Guará.

‘O Urbanos cumpre uma função social importantíssima na promoção da cultura com a inclusão do cidadão como participante ativo e também quando oferece opções de entretenimento de qualidade e práticas saudáveis com acesso livre’, opina o servidor público Marlon Dourado, frequentador assíduo nas atividades realizadas na casa.

Desapego do Boomerangue: protagonismo feminino (foto: Leo Saraiva)

No período de novembro de 2017 até janeiro de 2018, a casa precisou ser fechada para algumas reformas e receber inúmeras melhorias estruturais. Os banheiros foram reformados e o espaço principal foi aumentado e redimensionado com vistas a abrigar uma biblioteca com aproximadamente 300 livros de excelente qualidade doados para a casa e que serão disponibilizados em breve para a comunidade. Da mesma forma, a reforma contemplou um local onde funcionará o futuro Cineclube Urbanos, uma vez que a casa também recebeu a doação de mais de 3.000 DVD’s originais que integravam o acervo de um colecionador. O Cineclube Urbanos vai promover diversas mostras de filmes com debates ao final de cada projeção.

 

A coordenação do Urbanos Observatório informa que ainda possui datas disponíveis para o primeiro semestre de 2018 e mantém a agenda de ações e eventos até o final do ano. Artistas ou grupos interessados devem entrar em contato por meio do celular 98418-0789 (falar com Vanesca Matos) ou enviar email para urbanosobservatorio@gmail.com. O Urbanos Observatório não recebe nenhuma subvenção ou orçamento público ou privado e é mantido apenas com contribuições espontâneas dos seus parceiros e colaboradores.

 

SERVIÇO:

URBANOS OBSERVATÓRIO

QE 13, conjunto J, casa 13, Guará II

98418-0789 (Vanesca Matos)

SOURCELeo Saraiva
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