Rede de vizinhos e câmeras nas ruas

Polícia Militar implanta projeto que deu certo em outras regiões e empresa de segurança monta big brother em cada rua

Sem poder aumentar seu efetivo, por conta das limitações orçamentárias do governo, os órgãos de segurança do Distrito Federal estão investindo na interação e conscientização dos moradores para melhorar a segurança pública. Essa aproximação com a comunidade, para que ela seja parceira nas ações de prevenção, vem sendo buscadas há alguns anos pela Polícia Militar, através de projetos culturais e esportivos, e agora com o projeto Rede de Vizinhos, implantado inicialmente no Lago Norte e que está chegando ao Guará. A iniciativa privada também aproveita essa preocupação e investe na venda de serviço de monitoramento de ruas e casas, como é o caso de uma empresa de segurança que está montando câmeras em ruas da QE 30 do Guará II.
Criado com sucesso em Belo Horizonte, o projeto Rede de Vizinhos consiste na solidariedade entre os vizinhos, que podem se organizar em grupos de redes sociais para denunciar possíveis casos de assaltos, furtos, roubos, ou qualquer outro tipo de crime na sua rua ou condomínio, com o apoio e um canal direto com a Polícia Militar.
O projeto não tem custo nem para os moradores nem para os órgãos de segurança. Basta apenas um grupo de WhatsApp ou Facebook de vizinhos, que se alertam quando perceberem algum movimento estranho ou presenciarem alguma ameaça ou crime nas proximidades, e acionam a polícia. Uma placa, cujo modelo e arte é fornecido pela PM, é afixada nos muros ou grades das residências da rua ou quadra, informando que os moradores estão protegidos pelo projeto, com os números de contato da Polícia Militar em casos de emergência. Além do canal direto com a PM, os vizinhos podem utilizar também um apito, mas desde que todos eles saibam que aquele é um sinal de alerta.
Redução drástica da criminalidade
Com a implantação do projeto na cidade, a previsão é reduzir em cerca de 30% as ocorrências policiais no Guará. “A maioria dos crimes registrados pela 4ª DP e pelo 4º Batalhão da PM, é de roubo e furto a pedestre, a residências e em veículos (objetos retirados de dentro de veículos). São crimes mais fáceis de serem denunciados pelos moradores”, explica o capitão Renan Arakaki, coordenador da Rede de Vizinhos Protegidos no Guará.
A iniciativa de implantação da rede na vizinhança terá que partir dos próprios moradores, que, depois de organizados em grupos de redes sociais, pedem o apoio da Polícia Militar. “Estamos disponíveis para a explicar o projeto a qualquer grupo, basta agendar conosco”, explica o coordenador, que é também subcomandante do 4º Batalhão da Polícia Militar.
Divisão de responsabilidades
“Os moradores precisam se conscientizar que segurança não pode continuar sendo atribuição somente da polícia. Tem que haver uma parceria entre os dois elos”, afirma Renan Arakaki. Segundo ele, os vizinhos tem mais condições de verificar algum movimento ou pessoa estranha nas proximidades de sua casa, o que facilitaria o trabalho da polícia na abordagem.
“A ideia do projeto é que cada morador seja uma “câmera viva”, ou seja, os olhos da Polícia Militar naquela localidade e acionem a PM caso seja necessário e proporcionando, também, uma aproximação entre a polícia e a comunidade”, explica o coordenador.
Além do 190, os moradores podem se comunicar direto com os militares, o que agiliza o atendimento. “Sabendo utilizá-las, as novas tecnologias são muito úteis entre os vizinhos, porque oferecem a possibilidade de as pessoas se conhecerem e estabelecerem vínculo para proteção umas das outras”, diz o subcomandante do 4º Batalhão, que alerta sobre o surgimento de projetos semelhantes na cidade mas com interesses financeiros, patrocinados por empresas de segurança com o objeto de vender serviços de monitoramento. “O projeto Rede de Vizinhos Protegido não tem qualquer vínculo com esse tipo de comércio. Se por acaso nos grupos que solicitarem o apoio da Polícia Militar surgirem empresas querendo vender seus produtos, não vamos participar, porque não há necessidade. Se bem organizada, a rede funciona muito bem, sem necessidade de custos”, alerta.

COMO SOLICITAR A REDE
O primeiro passo é organizar os vizinhos num grupo de rede social e depois solicitar uma visita dos coordenadores do projeto para explicar o funcionamento da rede.
Contato
991670891
Capitão Arakaki
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