Colégio Maxwell está fechando as portas

Escola passa por uma séria crise financeira e suspendeu as aulas. Interessado em comprá-la desistiu do negócio depois de descobrir muitos problemas que dificultam a regularização

Nascido como Colégio Compacto há quase 40 anos, o Maxwell corre sério risco de virar apenas história. Uma das mais antigas e tradicionais escolas do Guará atravessa séria crise financeira e administrativa e está fechando as portas a apenas dois meses de concluir o semestre. Pais e alunos já desconfiavam desse desfecho, mas não agora. A esperança é que os problemas, que se arrastam há dois anos, fossem superados, pelo menos a tempo de não prejudicar a conclusão do ano letivo.

A pá de cal aconteceu nesta quarta-feira, 30 de outubro, quando os portões da escola amanheceram fechados para a entrada dos alunos. Um dia antes, na terça-feira, os pais haviam sido informados do fechamento, numa reunião tensa com a direção e um empresário interessado na compra e recuperação do Maxwell.

O fechamento era um ato anunciado há pelo menos um ano, quando a escola começou a apresentar dificuldades financeiras para o pagamento do pessoal. A crise piorou desde julho, quando os professores deixaram de receber seus salários e no final de setembro ameaçaram paralisar as aulas até a resolução do problema. Sem condições de levantar os recursos necessários, a proprietária do Maxwell optou por vendê-lo, o que despertou o interesse de um grupo de Sobradinho, coordenado pelo professor universitário Henrique Hortêncio Neto, que condicionou o fechamento do negócio ao retorno do credenciamento da escola na Secretaria de Educação, que está suspenso desde maio de 2018.

O principal entrave na negociação do Maxwell foi o ginásio de esportes, construído em área pública e retomado numa ação do Ministério Público concluída em 2016.

Desistência da compra

O negócio estava caminhando para o desfecho, quando os interessados na aquisição descobriram que não haveria tempo hábil para retomar o credenciamento. “O prazo vence no dia 2 de novembro para credenciar a escola para o exercício escolar de 2020, mas são tantos os problemas que seria impossível resolvê-los até lá”, explica Henrique Hortêncio. Segundo ele, a dona da escola, Nadia Maria Barbosa, omitiu vários fatos que dificultariam a regularização do Maxwuell na Secretaria de Educação.  Um deles é a retomada do ginásio de esportes, construído em área pública, numa ação do Ministério Público concluída em 2016. Sem uma quadra para a prática de esportes e educação física, a escola não poderia obter o credenciamento para os cursos de Ensino Fundamental 1 e 2.

Henrique Hortêncio, professor universitário há mais de 20 anos, chegou a negociar uma proposta de pagamento dos três meses de salários atrasados e os dois meses restantes, e assumir outras dívidas da escola, calculadas em R$ 8 milhões no total. Além dos salários de 65 funcionários, sendo 52 professores, o Maxwuell deve a fornecedores e impostos. A proposta do pretenso comprador era pagar os salários atrasados parceladamente e garantir os próximos em dia. O acordo estava sendo costurado com a intermediação da Procuradoria Regional do Trabalho e do Sindicato dos Professores das Escolas Particulares (Sinproep-DF).  “Não era o ideal, mas pelo menos garantia o emprego dos professores e funcionários”, analisa o presidente do Sinproep, Rodrigo de Paula, que lamenta o fim das negociações para a venda da escola.

Também a administradora regional do Guará, Luciane Quintana, tentou ajudar na resolução dos problemas, numa reunião com os interessados da compra e a dona do Maxwell. “Estamos fazendo todos os esforços para manter a escola, por ser uma das mais tradicionais da cidade e emprega muita gente. Estamos tentando a liberação do ginásio, mas dependemos do Tribunal de Contas do DF, que havia suspendido a concessão do terreno”, afirma a administradora.

 

Pais não sabiam de tudo

A suspensão do credenciamento não era de conhecimento dos pais. “Ficamos sabendo somente agora, quando a crise estourou. Sabíamos do atraso de salários, mas não disso”, conta Alecxandra Iglesias, mãe de dois alunos.

Quem foi à escola nesta quarta não encontrou nenhum representante  para informar sobre a situação. O boletim é o único documento que está sendo emitido pelos funcionários.  Andréia Cassimiro, mãe de um aluno, diz que desde o ano passado escuta rumores de possível fechamento da escola. “Os pais foram chamados para duas reuniões este ano, com interessados na compra da escola, com promessa de investimento e normalização do Maxwell, mas nenhum dos negócios se concretizou”, lamenta.

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