Última semana de Poéticas do Absurdo, de Natasha de Albuquerque, no Guará

Em mostra que reúne 10 anos de produção individual, artista visual apresenta na galeria A Pilastra fotografias, vídeos, performance e happening que levam o público a reagir e a interagir com obras que provocam e questionam temas presentes na vida diária das pessoas

A artista visual Natasha de Albuquerque exibe pela última semana a mostra “Poéticas do Absurdo”, um recorte de sua produção em performance, fotografia e vídeo ao longo de dez anos de carreira. Sua obra é um convite ao público a interagir e a reagir. A mostra ocupa quatro espaços expositivos da galeria A Pilastra e contará com programação de performance e happening da artista. A entrada é gratuita e a classificação indicativa é 18 anos. Visitação, até 31 de dezembro, de quinta a sábado, das 15h às 21h, e domingo, das 14h às 18h. A Pilastra fica na QE 40, Conjunto D, Lote 38, Guará II, Brasília-DF.

A palavra absurdo, em tempos de crise e choque político, parece estar por toda parte. Alguma coisa sem sentido aparente poderia ser considerada absurda, mas qualquer manifestação ocorre como uma reação a tudo que vivemos. Levamos em conta a existência do absurdo na arte por violar as leis da lógica e provar repentinamente a contradição da vida.  Não estamos em um mundo tão novo, mas mais perplexos com ele.

Artista, produtora, performer, fotógrafa e vídeo maker, mestre em Arte Contemporânea pela Universidade de Brasília, Natasha de Albuquerque é integrante do grupo Corpos Informáticos e já participou de mais de 40 exposições coletivas, incluindo mostras de performance e vídeo-arte nas cinco regiões do Brasil e internacionalmente no Chile e em Portugal. A mostra que a artista apresenta na galeria A Pilastra traz trabalhos que vêm sendo construídos pela artista ao longo da última década e obras inéditas.

“Poéticas do Absurdo”, aborda as questões da arte contemporânea que geram um abismo no pensamento e deslizamento em nossas incompreensões. Foto-performances, instalações participativas, vídeos e propostas ambíguas para o público desfrutar se espalham pelos ambientes da galeria. O absurdo acontece como motor das coisas, que gera agitação confusa e necessidade de mudança.

Provocação e o questionamento

A pesquisa de Natasha convida o público a participar de performances, instalações, composições urbanas e proposições sem categoria certeira. Expressão híbrida ou arte misturada, como ela mesma nomeia. Sua intenção é causar dúvida e perplexidade diante das banalidades do cotidiano e da realidade normativa, provocando riso, deboche e diversão.

 Em 2011, com o projeto de composição urbana Maria Pinta Buracos, conseguiu projeção ao pintar alvos nas crateras das vias do Distrito Federal. Gerando crítica ao governo local, ironiza os governantes que não acertarem o alvo do que é essencial à população. Este projeto foi novamente realizado em 2017, dessa vez nas ruas de Macapá (AP), e provocou ação da prefeitura com relação ao restauro de vias que estavam esburacadas há anos.

Natasha propõe a campanha VOTE NU que visa insistir na propagação da frase como uma campanha política a favor da nudez, da liberdade e do desnudamento social e político. Nos últimos quatro anos, foram centenas de cartazes e adesivos colados nas ruas com adesão nacional de artistas, nudistas e afins pela hashtag #votenu. A artista também promove a Oficina de Nudismo em espaços onde todos são convidados a estarem nus sem qualquer estranhamento proposto às corporeidades adversas e indisciplinas do corpo. Esta oficina também acontece na exposição Poéticas do Absurdo.

 

Perfomance

Como parte da programação, a artista visual realizará performance na galeria A Pilastra no dia e 30 de novembro. A entrada é gratuita e a classificação indicativa é 18 anos.

 

Sobre A Pilastra

Fundada em 2017, com o intuito de exibir jovens artistas em desenvolvimento dentro de ambiente propício ao diálogo crítico e à troca de experiências, A Pilastra presta especial atenção à descentralização e valorização de corpos dissidentes. Atenta às discussões sobre sociedade, violências e realidades periféricas, questiona e transita territórios de testes em meio à cidade não planejada. Os artistas representados e convidados estreitam pontos entre produção de arte contemporânea e vivências em sociedade limítrofe. Questionam as balizas e, por meio de propostas com cunho experimental nas mais diversas linguagens, entram em conflito direto com políticas vigentes.

A Pilastra, como projeto coletivo, movimenta-se na encruzilhada dos campos de atuação das artes. Representa artistas em situação de dissidência, assume curadorias de mostras coletivas e individuais, acolhe propostas de ocupações culturais e mantém os olhos abertos à juventude e à pluralidade.  A Pilastra abre-se como espaço para a livre experimentação colaborativa acessível à comunidade, com desenvolvimento de núcleos de pesquisa, promoção de cursos e atividades. Artistas, curadores e público são provocados a responder às especificidades da geografia em suas várias vertentes e o contexto social em que a galeria se apresenta.

 

Natasha: https://vimeo.com/364665426

Teaser: https://vimeo.com/364664941

 

Poéticas do Absurdo 

De Natasha de Albuquerque

Performance, happening, fotografia e videoinstalação

Abertura: 31 de outubro, quarta-feira, às 19h

Local: A Pilastra

Endereço: QE 40, Conjunto D, Lote 38, Guará II

Visitação:  01 de novembro a 31 de dezembro

                   Quinta a sábado, das 15h às 21h

                   Domingo, das 14h às 18h

Classificação indicativa: 18 anos

Entrada: Gratuita

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