Movimento tenta mobilizar moradores

Descontentes com os rumos políticos e administrativos da cidade, lideranças comunitárias iniciam debates com moradores. Primeira reunião teve baixo quórum

Com a promessa de ser um movimento apartidário e sem contaminação política, começou nesta sexta-feira uma séria de reuniões em praças da cidade, chamada de “Assembleia Popular”, convocada por algumas lideranças comunitárias que se dizem descontentes com “as ingerências políticas e a falta de gestão na Administração Regional do Guará”. Entretanto, a tônica das falas foi de crítica ao deputado distrital Rodrigo Delmasso, padrinho político do Guará, e à administradora regional Luciane Quintana, indicada por ele. Mesmo com a mobilização em grupos de WhatsApp e Facebook, cerca de 40 pessoas participaram da primeira reunião na praça da QE 32. Entretanto, o baixo quórum não desanimou os organizadores, que prometem reuniões em todas as quadras da cidade e depois tirado um relatório das demandas para ser encaminhado diretamente ao governador Ibaneis Rocha, sem a intermediação de parlamentares.
“Guará não pode continuar sendo uma filial de uma igreja evangélica e propriedade de um parlamentar, que indica o administrador e os assessores sem ouvir a comunidade. A população guaraense precisa se organizar para defender suas reivindicações e falar diretamente com o governador e secretários sem ter que se submeter a um determinado deputador”, atacou o primeiro orador da noite, José Augusto, que se apresentou como consultor. Para a prefeita comunitária do Guará Park, Tânia Coelho, pelo modelo institucionalizado no Distrito Federal não há como se prescindir dos padrinhos políticos, a quem cabem a destinação de recursos através de emendas parlamentares. “Talvez o que esteja faltando no Guará seja uma maior aproximação entre a Administração Regional e os moradores. Não podemos tentar dividir ainda mais e sim nos juntarmos em defesa da cidade”, afirmou a prefeita.

Inverter o processo
“Precisamos inverter o processo, que deveria ser o parlamento ouvir a comunidade e junto com os moradores levar as demandas ao governo. O administrador regional não se reporta mais ao governo, mas ao seu padrinho. É por isso é esse descontentamento dos moradores com o abandono do Guará”, criticou Raimundo Formiga, líder comunitário da QE 32. O jornalista Henrique Machado sugeriu que o próprio governador seja o padrinho político do Guará, “como é em Ceilândia e em Águas Claras, onde não há ingerência de deputado distrital. No nosso caso, a administradora regional não conhece a cidade e não sai de seu gabinete para conhecê-la”. O radialista Alexandre Torres criticou a dificuldade, segundo ele, de agendar audiências com a administradora regional Luciane Quintana para discutir demandas.
Presidente do Conselho Comunitário do Guará Sul, que representa as QEs 38, 42, 44 e 46, Carlos Roberto Gomes preferiu lembrar da época em que as lideranças comunitárias eram prestigiadas pelos administradores regionais. “Nós éramos ouvidos, consultados e atendidos, mas hoje não mais. São os líderes comunitários que conhecem os reais problemas de suas quadras e mesmo assim são ignorados”. Luis Carlos Torres, presidente da Federação dos Trabalhadores em Telecomunicação e morador da QE 32, lembrou que o próprio governador Ibaneis Rocha foi morador do Guará e por isso deveria se interessar mais pela cidade. Lula Torres, como é conhecido, criticou a intenção de se privatizar o Cave e outras áreas da cidade sem ouvir os moradores.
O agitador cultural Miguel Edgar Alves elogiou a iniciativa da mobilização e também criticou o apadrinhamento político da cidade. “Enquanto não pudermos ter o direito de escolher o administrador regional através do voto, que pelo menos sejamos consultados como lideranças sobre os candidatos ao cargo. Não pode continuar sendo uma deferência de apenas uma pessoa, como é hoje”. Um dos organizadores da “Assembleia Popular”, Anderson Fabrício Gomes, do Movimento Comunitário Guará Independente, também a gestão da cidade. “Ele, como o outros deputados, é um servidor do povo e por esse povo deve ser ouvido. Tá na hora da comunidade se mobilizar para reverter esse processo”.
Os líderes do movimento pretender agendar reuniões em todas as quadras do Guará, mesmo com o desinteresse inicial dos moradores. A próxima está marcada para o dia 8 de janeiro, na pra ça da QI 11, em frente à Rádio Guará FM.

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