Tradicional em outras cidades do DF, a Feira Livre Itinerante no Polo de Moda do Guará consolidou-se como um dos principais pontos de encontro da comunidade guaraense, reunindo milhares de pessoas todas as semanas e fortalecendo a economia local. O sucesso do modelo, que começou em Samambaia em 2021, agora impulsiona um novo passo: a expansão para a região do Guará, ampliando ainda mais o alcance do projeto.
Criada com o objetivo de gerar renda e oportunidade para pequenos empreendedores — especialmente aqueles que buscavam espaço no período noturno — a feira enfrentou desafios iniciais até se estruturar. Após passar por diferentes locais em Samambaia, o projeto se firmou e, a partir de 2025, registrou um crescimento acelerado, tanto no número de feirantes quanto no público, e hoje atrai gente de todo o DF e entorno, o que deve acontecer também com a do Guará.
Para Cristiane Mendes Nishiyama, presidente da Associação de Feira Itinerante de Samambaia (Afesam), esse crescimento foi resultado direto da organização e da adesão popular. “A gente começou pequeno, com a proposta de ajudar feirantes que precisavam trabalhar. Com o tempo, tivemos que nos estruturar, criar a associação, buscar autorização. E, quando a feira cresceu, não tinha mais espaço. Foi aí que começamos a expandir para outras regiões”, explica.
Espalhando pelo DF
Hoje, a feira percorre diversas cidades do DF ao longo da semana, mantendo uma característica essencial: a inclusão de feirantes locais. “Cerca de 40% dos expositores são da própria cidade. A gente abre espaço para quem está na lista de espera, mas também para quem mora na região. É uma forma de fortalecer a economia local e dar oportunidade para mais pessoas”, ressalta.
No Guará, onde acontece às quartas-feiras, na Praça da Moda, das 16h às 22h — frequentemente se estendendo até as 23h —, a feira já soma mais de 20 edições e atrai entre 3 mil e 4 mil pessoas por noite. “Foi uma explosão. Muita gente não conhecia, mas quando começou a divulgação, o público veio. Hoje é sempre cheia”, afirma Cristiane. Ela também aponta a limitação do espaço atual. “Aqui já está no limite. A gente organizou da melhor forma, mas não tem como crescer mais. Por isso, a ideia de expandir para outro ponto do Guará.”
A Administração Regional acompanha de perto esse crescimento e já trabalha na ampliação do projeto. O administrador do Guará Artur Nogueira destaca o impacto positivo da feira. “A feira está bombando. É um ambiente familiar, com crianças, jovens, pessoas de todas as idades. Isso movimenta a economia e fortalece a convivência. Pelo sucesso, queremos levar para outro ponto, possivelmente no Park Sul”, afirma.
Feirantes satisfeitos
Vitor Alves, do Café Sem Troco, destaca o papel da feira como espaço coletivo. “É uma feira maravilhosa, um ambiente familiar, super agradável. Aqui a gente vê amizades se reencontrando, histórias sendo compartilhadas. Virou um ponto de encontro do Guará. E o mais importante: a feira é feita por todos. Não existe sem feirante, mas também não existe sem cliente.” Tamires Nixiyama, que trabalha há anos em feiras, fala da rotina intensa e da identificação com o trabalho. “É uma vida corrida, de acordar cedo e dormir tarde, mas é o que a gente gosta. E aqui no Guará eu fui muito bem recebida. As pessoas são carismáticas, respeitosas. Dá gosto trabalhar aqui.”
Gerlaine Silva Veiga, que encontrou na feira uma oportunidade de recomeço, compartilha sua experiência de reinvenção. “Eu não conseguia espaço antes, trabalhava com doces. Precisei mudar, comecei com tortas salgadas e hoje está sendo um sucesso. A feira abriu essa porta para mim.” Lidiane de Souza, que começou com o filho vendendo cones trufados, hoje expandiu o negócio para diversas sobremesas. “A gente começou pequeno, mas foi crescendo. A feira deu visibilidade. E aqui no Guará é muito bom, o público participa, fica até mais tarde, valoriza o nosso trabalho.”
O feirante Rômulo Cardoso Mota, vendedor de frutas, destaca o perfil exigente da clientela local. “Aqui o público busca qualidade. Não é só preço. Isso faz a gente melhorar sempre o que oferece.” Já Ana Francisca, artesã e moradora do Guará, vê na feira uma oportunidade de crescimento. “É um espaço para mostrar o nosso trabalho. Eu mesma produzo minhas peças e vejo a aceitação das pessoas. Isso é muito importante para quem quer crescer.”
Moradores aproximando
A professora Mariana Alves, de 42 anos, moradora da QE 38, destaca o impacto social do evento. “A feira trouxe uma vida nova para o Guará. Não é só compra, é convivência. A gente encontra os vizinhos, traz a família. Virou um momento especial da semana.” O servidor público Carlos Henrique Souza, de 35 anos, morador da QE 40, ressalta a praticidade. “Facilitou muito. Em um lugar só eu resolvo tudo: compro alimentos, janto com a família e ainda aproveito um ambiente agradável.” Já a aposentada Lúcia Ferreira, de 67 anos, moradora da QE 42, valoriza a diversidade. “Tem de tudo aqui, e tudo com qualidade. A gente percebe o cuidado dos feirantes. É um passeio que eu faço questão de vir.”
Com forte adesão popular, diversidade de produtos e impacto direto na economia local, a Feira Livre Itinerante se consolida como um modelo bem-sucedido de ocupação urbana e geração de renda. Agora, com a perspectiva de expansão para outra região do Guará, o projeto avança para uma nova fase — mantendo como base aquilo que o tornou um sucesso: a união entre comunidade, cultura e oportunidade.










