A CEB Iluminação Pública e Serviços (CEB IPes) e a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) assinaram um termo de cooperação técnica para reforçar o combate ao furto, roubo e receptação de cabos e equipamentos da rede de iluminação pública. A medida busca integrar tecnologia, inteligência e ações operacionais para enfrentar um dos crimes que mais causam prejuízos à infraestrutura urbana do Distrito Federal e comprometem a segurança da população.
O acordo foi firmado durante o lançamento do programa GDF na Sua Porta, no Palácio do Buriti, e prevê o compartilhamento de imagens, vídeos, relatórios técnicos e outras informações estratégicas entre as duas instituições. A expectativa é que a troca de dados permita maior rapidez na identificação de autores, na recuperação das áreas afetadas e na prevenção de novas ocorrências.
Entre as novidades está a integração do sistema de iluminação pública ao programa DF 360, ampliando o monitoramento eletrônico em diversas regiões administrativas. A iniciativa inclui a instalação de câmeras em postes de iluminação e a utilização de drones para vigilância de áreas vulneráveis, principalmente locais com histórico de furtos de cabos. O objetivo é permitir que as forças de segurança identifiquem movimentações suspeitas em tempo real e atuem antes que o crime seja consumado.
A preocupação é justificada pelos números registrados neste ano. Apenas em 2025, a CEB IPes contabilizou o furto de aproximadamente 96 quilômetros de cabos de energia em todo o Distrito Federal. O prejuízo financeiro estimado chega a R$ 1,9 milhão, sem contar os danos indiretos causados à população. Quando os cabos são retirados, ruas, avenidas, praças e áreas públicas ficam às escuras, aumentando a sensação de insegurança e elevando o risco de acidentes para motoristas, ciclistas e pedestres.
Reflexos no Guará
No Guará, os efeitos desse tipo de crime são conhecidos pelos moradores. Em diversos pontos da cidade, especialmente em vias de grande circulação, interrupções na iluminação pública provocadas pelo furto de cabos geram reclamações frequentes da população. Embora a reposição do material seja realizada pelas equipes de manutenção, a recorrência dos furtos acaba provocando novos apagões e sobrecarregando os serviços públicos.
Além de sofrer os impactos diretos da criminalidade, o Guará também ficou marcado, durante anos, por ser apontado pelas investigações policiais como um dos principais centros receptadores de cobre furtado do Distrito Federal. Operações realizadas pela Polícia Civil identificaram que grande parte do material retirado de redes de energia, telefonia e internet era encaminhada para estabelecimentos da cidade antes de seguir para fundições e outros destinos.
Um dos casos de maior repercussão foi revelado durante as operações Powercut I e Powercut II, coordenadas pela Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri). As investigações desarticularam uma organização criminosa especializada em furtos, receptação e lavagem de dinheiro envolvendo cabos de cobre. Segundo a polícia, a estrutura criminosa atuava em diversos estados e utilizava estabelecimentos localizados no Distrito Federal para receber e comercializar o material furtado.
Relatórios das investigações apontaram a região da QE 40 como um dos principais pontos de receptação do DF. O esquema movimentava toneladas de cobre retiradas de redes públicas e privadas, causando prejuízos milionários e interrupções em serviços essenciais. O material passava por processos de descaracterização antes de ser encaminhado para fundições, dificultando o rastreamento de sua origem.
Nos últimos anos, entretanto, as forças de segurança têm intensificado o monitoramento sobre o comércio de sucatas e ferros-velhos instalados no Guará. Segundo a Polícia Civil, fiscalizações periódicas, operações de inteligência e visitas inesperadas aos estabelecimentos contribuíram para reduzir significativamente os registros de receptação na região.
De acordo com a 4ª Delegacia de Polícia, os cerca de 12 ferros-velhos identificados na cidade passaram a ser monitorados de forma permanente. O trabalho busca verificar a origem dos materiais comercializados e impedir que o cobre proveniente de furtos volte a alimentar o mercado ilegal. A estratégia tem dificultado a atuação dos receptadores e contribuído para a redução desse tipo de atividade criminosa no Guará.
Ataque ao furto e à receptação
A nova parceria entre a CEB IPes e a PMDF pretende fortalecer esse cerco, atacando todas as etapas da cadeia criminosa. Além da repressão aos autores dos furtos, o foco está na identificação de receptadores, intermediários e organizações responsáveis pela comercialização do material roubado. A avaliação das autoridades é que combater apenas o furto não é suficiente, sendo necessário desarticular toda a estrutura econômica que sustenta esse mercado clandestino.
Outro reforço importante veio da legislação federal. Desde agosto de 2025, a Lei nº 15.181 endureceu as penas para os crimes de furto, roubo e receptação de fios, cabos e equipamentos utilizados em serviços essenciais. A nova norma alterou o Código Penal e passou a enquadrar esses delitos como crimes qualificados, com penas mais severas para quem pratica ou financia esse tipo de atividade.
Pela nova legislação, a receptação qualificada pode resultar em penas de até 16 anos de prisão, especialmente quando os crimes provocarem interrupção de serviços públicos ou afetarem sistemas de energia, telecomunicações e iluminação urbana. A expectativa das autoridades é que o endurecimento das punições funcione como instrumento de desestímulo para organizações criminosas que lucram com a comercialização ilegal do cobre.










