Jardim autossuficiente

Professor de história e criador de terrários, o guaraense Pablo Borges oferece pequenos ecossistemas em potes de vidro reciclados

Os terrários foram criados pelo doutor Nathaniel Ward, um lorde inglês que tinha como hobbie a botânica. Por volta de 1830, através de uma experiência com uma garrafa de vidro e terra, foi possível observar o crescimento de uma pequena planta dentro do vidro. Tal planta era uma pequena samambaia, a qual muito provavelmente a semente, ainda em forma de esporo, deveria ter se misturado junto a terra. Para comprovar a sua tese, o doutor Ward realizou uma encomenda a um marceneiro, o qual produziu uma caixa quadrada, bem reforçada, com vidro na parte de cima. Após a entrega do pedido, o doutor Ward introduziu samambaias dentro desta caixa, a qual foi mantida completamente isolada do ambiente externo. Com o passar do tempo, foi possível observar o crescimento das samambaias, que adoravam o ambiente úmido da caixa vitrificada. A partir de então, foi possível comprovar que plantas poderiam viver dentro de caixas vitrificadas, isoladas do ambiente externo.

A utilização dos terrários ao longo da história propiciou o transporte e adequação de plantas em locais onde elas não existiriam naturalmente, possibilitando assim ultrapassar questões como o determinismo geográfico. Devido ao sucesso das caixas vitrificadas, em 1842, o doutor Ward publicou seu livro que teve como título ¨Sobre o crescimento de plantas em caixas de vidro fechado¨, no qual ele trata sobre as diversas utilizações de plantas e caixas vitrificadas, além de já demonstrar o bem psicológico que as plantas faziam para a saúde das pessoas, também aponta uma forma de recordar o meio rural para aqueles que tinham recém-chegado ao ambiente urbano das grandes cidades inglesas.

Atualmente, é possível utilizar os terrários com a mesma inspiração que as caixas vitrificadas do século XIX, como por exemplo, para a decoração de casas e apartamentos, trazendo uma amostra da natureza abundante que existe em nosso país, podendo ser utilizado para reproduzir paisagens marcantes. Outro ponto relevante é o poder terapêutico presente tanto no momento de produção dos terrários, como no momento de apreciação, pois possibilita a aproximação do ser humano com a natureza.

No Guará, um professor de história tem produzido pequenos terrários, além de ensinar como fazer estes pequenos jardins em casa. Ele reutiliza garrafas de vidro que iriam para a o lixo, e produz suas próprias matrizes de plantas que farão parte dos terrários. “De acordo com a pesquisa e estudos que realizei sobre os terrários, pude desenvolver uma técnica especial de produção, que une arte e artesanato, a qual costumo ensinar em oficinas nas quais compartilho conhecimentos sobre a história dos terrários e a técnica de produção que utilizo”.

 

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