A argila moldada pelas mãos de diferentes participantes chega agora ao público como resultado de um processo que reuniu aprendizado, criação artística e valorização de um dos fazeres mais antigos da humanidade. No dia 28 de setembro, a Casa da Cultura do Guará recebe a 1ª Mostra Coletiva de Cerâmica do Projeto Sustentável Leveza, com trabalhos produzidos ao longo das atividades desenvolvidas na cidade.
A exposição acontece das 19h às 21h, no foyer da Casa da Cultura, com entrada gratuita e classificação livre. Mais do que apresentar peças prontas, a mostra pretende revelar parte do percurso de quem participou do projeto, desde o contato inicial com a matéria até a experimentação de formas, volumes, texturas e técnicas da cerâmica.
Idealizadora e coordenadora do Sustentável Leveza, a agente cultural Christianne Teixeira atua há 14 anos na área cultural e concebeu o projeto com uma proposta que ultrapassa a formação técnica. Para ela, trabalhar com a cerâmica significa também recuperar uma linguagem ancestral, acessível e capaz de estabelecer relações entre arte, identidade, pertencimento e geração de renda. “A arte que nasce das mãos também carrega histórias, encontros e transformação. Esta mostra é um convite para celebrarmos juntos os aprendizados e esse percurso criativo onde a matéria ganha vida”, afirma.

Da argila à construção de um núcleo cerâmico
Um dos objetivos do projeto é estimular a continuidade desse fazer artístico no Guará. A proposta de Christianne é contribuir para que a cidade se transforme em referência na produção artesanal em cerâmica, com a formação de um núcleo capaz de permanecer ativo depois do encerramento das atividades e de criar novas possibilidades para artistas, artesãos e pessoas interessadas em trabalhar com a técnica.
Esse caminho aproxima a produção cultural da economia criativa. A cerâmica pode surgir inicialmente como experiência artística ou aprendizado, mas também pode se transformar em atividade profissional e fonte de renda. Ao reunir formação, prática e exposição pública, o Sustentável Leveza procura criar condições para que os participantes reconheçam também essas possibilidades.

O processo formativo reuniu profissionais com experiência na cerâmica no Distrito Federal. Mestre Zinho, conhecido pelo trabalho em oficinas de torno e modelagem no Museu Vivo da Memória Candanga, e Henrique Filipelli, fundador da Soma Cerâmica, na Asa Norte, integram a proposta pedagógica do projeto. A presença dos dois aproxima diferentes experiências e maneiras de trabalhar com a argila, combinando técnicas tradicionais, prática artesanal e novas possibilidades de criação.










