Campeão paralímpico homenageia os anjos do asfalto que o salvaram

Uma lição de força, superação e principalmente gratidão aos que lhe deram a vida novamente

Sobre a gratidão o dicionário esclarece – “reconhecimento de uma pessoa por alguém que lhe prestou um benefício, um auxílio, um favor”, (www.dicio.com.br). A pessoa: Guilherme Costa. O alguém (nesse caso, no plural, alguéns): 2º Sgt. R. Feitosa, Sgt. R. Conde, Sgt. M. Ramos. O benefício: a vida.

Aconteceu no dia 19 de maio no GAEPH (Grupamento de Atendimento de Emergência Pré-Hospitalar do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal), localizado no Pólo de Modas do Guará 2, uma cerimônia de agradecimento em que, Guilherme Costa acidentado em 2006 no Parque da Cidade, homenageou os 3 socorristas do Corpo de Bombeiros que o atenderam num trágico acidente, prestando os primeiros-socorros e o encaminhando para o Hospital de Base.

Sobre Guilherme Costa

Guilherme atravessava pela faixa de pedestre dentro do Parque da Cidade em novembro de 2006, quando um veículo em alta velocidade (105km/h) o atropelou, na época ele tinha 14 anos de idade. Apesar da gravidade, ninguém tocou no garoto até a emergência chegar, e nela estavam os 3 protagonistas agraciados na cerimônia. Guilherme passou por 7 cirurgias durante os 6 meses em que esteve internado.

Dias melhores, dias piores, mas com total suporte da família e dos amigos e com muita fé em Deus, o garoto que sonhava ser jogador de futebol soube que ficaria tetraplégico. Não foi fácil, porém ele deu a volta por cima. Apesar das adversidades principalmente pessoais, foi no tênis de mesa (utilizado a princípio como forma de reabilitação fisioterápica) que ele encontrou uma nova perspectiva de vida.

Levou o esporte a sério e em seu primeiro torneio nacional, a Copa do Brasil, Guilherme ficou em 3º lugar, depois de 1 ano e meio treinando foi convidado pela seleção brasileira juvenil e foi jogar na Colômbia, de lá voltou com dois ouros e uma prata.  Em seguida, foi convocado para seleção adulto pela primeira vez e nunca mais a deixou. Guilherme é atleta da seleção brasileira paralímpica de tênis de mesa.

Tudo seguia bem na vida do campeão, mas aquela lembrança do acidente e principalmente a gratidão pelo fato de ter saído com vida daquela tragédia não saía de sua mente, e um sentimento forte de que deveria reencontrar a todo custo os anjos do asfalto (como são conhecidos os Bombeiros), que o atenderam no primeiro momento após o acidente e demostrar o quanto ele era agradecido por eles terem salvado sua vida. Após algumas dificuldades e tentativas frustradas, Guilherme enfim conseguiu realizar seu sonho, no dia 19 de maio de 2017.

 

 

 

 

 

Cerimônia

Com dia e hora marcados, a solenidade foi das mais emocionantes que se possa imaginar. A princípio, os socorristas foram recebidos apenas para ouvir uma carta de agradecimento (trecho reproduzido abaixo) que Guilherme havia escrito. Ao final da leitura, já emocionados, o garoto que aquele dia estava estirado no chão, machucado e todo ferido; hoje homem, de barba cheia, nobre em sua cadeira de rodas e um largo sorriso no rosto adentrou a sala de eventos do GAEPH. A surpresa foi grande e muitos não contiveram as lágrimas.

“Carrego no peito o brasão dos bombeiros. Carrego na couraça a coragem dos combatentes. Carrego na alma a força do batalhão. Não quero me alongar, portanto agradeço a você bombeiro. Acredito que descobri quem são os caras que me salvaram. Saibam que independente de ter sido o José, João ou o Antônio, você bombeiro que está lendo ou ouvindo esse texto agora fez parte do meu resgate, como eu faço parte de cada resgate que vocês fazem. Sinto orgulho de vocês, o Brasil sente orgulho de vocês. Muito obrigado, mais uma vez, por servir essa pátria como manda nosso hino nacional. Devo minha vida ao trabalho de vocês.” (trecho da carta escrita por Guilherme)

Também esteve presente na cerimônia o companheiro de equipe no tênis de mesa, o medalhista paralímpico Aloisio A. Lima Junior, que se acidentou em 2003 ao cair de uma altura de 60 metros, enquanto praticava rapel no Buraco das Araras, em Formosa/GO. O atleta fez questão de comparecer à solenidade, pois além de acompanhar o amigo Guilherme Costa, Aloisio também recebeu o primeiro atendimento após seu acidente, por uma equipe de Bombeiros e ele compartilha do mesmo sentimento de gratidão e estima pela corporação.

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