Novo Parque do Guará: um sonho possível?

Quase totalmente desocupado, mas ainda sem estrutura capaz de atrair os guaraenses, o Parque Ezechias Heringer pode ganhar uma nova cara nos próximos anos. Pelo menos o projeto está pronto e será entregue pelo Ibram ao novo governo

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O Parque Ezechias Heringer recebeu grande atenção de Rodrigo Rollemberg, cuja gestão acaba esta semana, pelo menos na primeira fase de sua implementação: a retirada dos chacareiros. Dezenas de chácaras, casas, cercas e outras estruturas foram retiradas da área de preservação. Mas, com o parque desimpedido, muito pouco foi feito. A população esperava que novas pistas de caminhada, áreas de lazer, quadras esportivas e instalações para garantir o conforto dos frequentadores fossem concluídas antes de 2019.
O presidente do Instituto Brasília Ambiental, Aldo César Vieira Fernandes, garante que o órgão esforçou-se muito para entregar o parque à população, mas muitos fatores atrapalharam a conclusão da infraestrutura. O Ibram concluiu um projeto no primeiro semestre de 2018 e agora o passa ao próximo governo para ser implantado.

Atrás do Batalhão
O Ibram planejou construir equipamentos em duas áreas, uma atrás do Batalhão de Polícia Militar, do terminal rodoviário e da faculdade Projeção; e outra na área 28, onde atualmente toda a estrutura está concentrada. Como as duas áreas são cortadas pela Estrada Parque Guará, uma grande ponte de concreto, para pedestres, ciclistas e animais, deve ser erguida sobre a via.
O Parque do Guará é uma grande área de preservação, que serve como proteção ao córrego de mesmo nome, extremamente sensível por conta de sua pequena extensão. O Córrego Guará nasce atrás da Quadra Lúcio Costa, na Reserva Ecológica do Guará, e desagua no Lago Paranoá. Ainda assim, é de extrema importância para o bioma do Distrito Federal, servindo como corredor gênico para aves e mamíferos, e tendo seu próprio ecossistema, inclusive com orquídeas que existem apenas na área.

Custo
Por conta desta característica de ter ainda parte da vegetação nativa preservada, a vocação do parque é a contemplação e a prática de atividades físicas. Isto está refletido no projeto. O plano é criar em cada uma das áreas grandes pistas de caminhada e de ciclismo, separadas, além de trilhas e áreas para apreciar a natureza. Em cada uma das duas áreas, interligadas pela ponte sobre a EPGu, estão previstos, banheiros, parquinhos, academias ao ar livre, quadras poliesportivas, skatepark e centros de convivência.
Assim, por se tratarem de equipamentos que, apesar de extensos, tem custo relativamente baixo, previsão é que o parque possa receber boa parte da estrutura planejada com R$5 milhões.

Origem dos recursos
O presidente do Ibram apontou algumas possíveis fontes para a verba. A primeira é a compensação ambiental de deve ser paga pela empresa Inframérica por conta das obras no aeroporto de Brasília, que podem ser aplicadas num raio de até 10 km do local da obra, atingindo o parque. Outra é a compensação ambiental gerada pela construção da via Interbairros, ou TransBrasília, que passará dentro da área no parque e já foi apontada como prioridade pelo governador eleito Ibaneis Rocha. A terceira são as emendas parlamentares ao orçamento, responsável por boa parte das obras nas cidades satélites. O grande dividendo político que uma obra desta proporção traria é um atrativo para os políticos.

Projeto incompleto
O Parque do Guará pode ter uma grande importância para a integração do Park Sul com o restante da cidade. Com uma população crescente, seria muito importante que houvesse uma nova entrada por aquele bairro. Já existe uma entrada e uma pista precária, que dá acesso ás instalações da Empresa Brasileira de Comunicação, dentro do Ezechias Heringer. Ali, poderia-se criar uma portaria, estacionamento, banheiros, parquinhos e principalmente pistas de caminhada e ciclismo. Com pontes sobre o córrego Guará, com suas margens desocupadas, possibilitaria um passeio do ParkSul à Feira do Guará, por exemplo. Mas, como alertou o atual presidente do Ibram, este projeto é preliminar e modulável, ou seja, pode, e deve, ser implementado em partes.

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