Mobilização pelo Na Hora no Guará

Fechamento iminente dos escritórios da CEB e da Caesb reacende discussão por um Na Hora no Guará. Prédio da Administração Regional, subutilizado e bem localizado, seria o local ideal para a concentração dos serviços do GDF

As administrações regionais já tiveram um papel muito mais relevante nas cidades e, consequentemente, muito mais funcionários. A redução do tamanho do Estado e a retirada de serviços acabou esvaziando a sede de algumas delas, incluindo a Administração Regional do Guará, que hoje só é visitado por quem precisa dar entrada em alvarás e licenças, ainda assim, parte do licenciamento das grandes obras também é realizada na Central de Projetos.
Esse espaço ocioso é suficiente para a instalação de outros serviços do governo, alguns deles funcionando em espaços precários ou pagando aluguel caro. É o que acontece com o escritório da Caesb, na iminência de ser fechado no Guará para ficar livre dos custos do aluguel de metade de um andar de um prédio na QE 13. A expectativa é que o atendimento do Guará e Estrutural seja concentrado em um novo espaço na Asa Sul, mesmo com a média de 1.500 atendimento por mês. A política da empresa de intensificar os serviços prestados pela internet vai reduzir a necessidade de atendimentos presenciais e, consequentemente, o número de agências. A mesma coisa deve acontecer com a CEB na QE 20, que, entretanto, já está negociando sua transferência para a sede da Administração.

Detran Móvel levou centenas de pessoas diariamente à Administração do Guará durante a semana

O sucesso do Detran Móvel no Guará esta semana, com centenas de atendimentos diários, mostrou ao órgão que há demanda para seus serviços na cidade. Para o diretor de Policiamento e Fiscalização de Trânsito do Detran DF, Francisco Saraiva, instalar uma unidade do órgão na Administração do Guará seria relativamente fácil. “Basta que seja disponibilizado um espaço com Internet para a instalação de um terminal. Dois ou três funcionários seriam suficientes para o atendimento”, explica. Essa descentralização, segundo ele, iria ajudar a reduzir a demanda nos postos centrais, além da comodidade para o usuário de cada cidade, que não precisaria de grandes deslocamentos em busca dos serviços do Detran, sem contar a facilidade de estacionamento.
Aliás, essa proposta de trazer o Detran para o Guará não é nova e chegou a ser tentada no Governo Agnelo, na Administração Carlinhos Nogueira, quando foi elaborado um projeto técnico para a instalação de um posto de vistoria onde é hoje o Clube de Vizinhança II, ao lado do ginásio coberto do Cave, mas a parte administrativa ficaria dentro do prédio da Administração Regional, no espaço ocupado atualmente pela Junta Militar, que seria deslocada para outro espaço dentro do prédio. Depois, o administrador regional André Brandão tentou trazer o Na Hora para o Guará, mas, após três encontros com o então presidente do órgão na época, Saulo Diniz, o projeto não foi concretizado por causa da troca no comando da Administração Regional com a entrada de Luis Carlos Júnior, que não deu continuidade às negociações.
“A procura pelos serviços do ônibus do Detran nas Cidades no Guará durante esta semana mostra o que seria um posto local do órgão. O projeto está começando pelo Guará e pode ser o embrião dos postos fixos em cada cidade”, completa Saraiva.

Na Agência do Trabalhador, dentro da sede da Administração do Guará, os guichês são subutilizados e o espaço poderia ser dividido com outros órgãos

Prédio da Administração
O amplo prédio, construído nos anos 70 e ampliado no início dos 80, já conta com os serviços da Agência do Trabalhador e do Procon. Seus amplos halls poderiam facilmente abrigar os demais serviços prestados pelo Na Hora. De localização privilegiada, próximo ao metrô, à Feira do Guará e com amplo estacionamento, a vinda dos serviços ressignificaria a presença do governo no Guará.
“A localização estratégica do Guará justifica a instalação do Na Hora na cidade, porque atenderia aos 150 mil guaraenses e aos moradores de Candangolândia, Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo, Estrutural… Como o prédio da Administração do Guará é grande e está sendo subutilizado, comportaria tranquilamente esse posto do Na Hora, que, por tabela, ajudaria a fomentar o comércio da cidade”, afirma o ex-administrador regional do Guará e presidente da Associação Comercial do Guará (Acig), Deverson Lettieri.
A administradora regional do Guará, Luciane Quintana, afirma que também está pensando na proposta. “Trazer o Na Hora ou alguns dos serviços prestados pelo governo é uma das nossas prioridades. Já solicitamos uma reunião com o secretário de Justiça e Cidadania para tratarmos do assunto. Estamos, inclusive, em fase adiantada de negociação com a CEB para trazer a agência da QI 16 do Guará I, que estava prevista para ser fechada por redução de custos, para o prédio da Administração. Se necessário, podemos promover remanejamentos de espaços aqui dentro para acomodar esses e outros órgãos do governo”.
Um dos corredores da Administração é todo ocupado pelo arquivo da cidade. Sem condições adequadas de armazenamento, documentos históricos e fundamentais para contar a história da cidade correm o risco de perderem-se pela ação da natureza ou por um acidente. O ideal é que os documentos sejam digitalizados e o acervo físico transferido para um local que tenha as condições mínimas de conservar os documentos. Desta forma, um grande espaço seria liberado no prédio da Administração, suficiente para comportar guichês de dois a três órgãos do governo.
Outros órgãos, como a Vigilância Ambiental (que funciona precariamente no Guará I), também poderiam ser transferidos para o prédio. “Levar o escritório da Vigilância Ambiental para a sede da Administração do Guará seria ótimo, porque ocupamos um espaço emprestado na sede da Vigilância Sanitária. Nossas atribuições aumentaram muito por causa do combate à dengue e, por causa disso, precisamos de dar maior visibilidade à Vigilância Ambiental, torná-la mais acessível fisicamente aos moradores”, conta Isabel Lana, chefe da Vigilância Ambiental do Guará.

Corredores, halls e salas vazias na Administração do Guará,
enquanto o governo gasta com aluguel para abrigar alguns órgãos. Há espaço para a instalação de um serviço Na Hora completo no prédio

Secretaria de Justiça
A operação do Na Hora é atribuição da Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (Sejus-DF). A secretaria informa que, “devido a questões orçamentárias e ao déficit de servidores públicos em vários órgãos do Distrito Federal, não há previsão para a abertura de novas unidades do Na Hora. A prioridade atual é aprimorar o atendimento e os serviços prestados nas unidades já em funcionamento. Além disso, por meio do Programa Sejus mais Perto do Cidadão, a Sejus está levando os serviços do Na Hora e de diversos outros órgãos de forma itinerante para as cidades do DF. Iniciada em março, a ação já passou pela Candangolândia, Paranoá, Planaltina e Brazlândia”, diz a nota encaminhada ao Jornal do Guará.


Mas, o deputado distrital Rodrigo Delmasso não aceita a desculpa de falta de orçamento e após fazer um levantamento do custo da instalação de um Na Hora completo na Administração do Guará, promete alocar os recursos necessários para a implantação e a manutenção do serviço na cidade, orçado inicialmente R$3 milhões anuais, através de emendas parlamentares no Orçamento do DF de 2020. “Vamos reivindicar a vinda do Na Hora completo para o Guará, por casa da localização da cidade, incluindo a emissão de passaporte pela Polícia Federal e de documentos de identidade pela Polícia Civil”, diz ele.
Se os planos se concretizarem, o Guará pode receber o Na Hora nos primeiros meses de 2020. Antes disso, alguns serviços já podem ser abrigados pela Administração ainda este ano, como a CEB, a Caesb, a Vigilância Ambiental e até o Detran.

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