Praça da QI 4 adotada – Moradores dão exemplo de cuidado com a área pública

Primeira do Guará no programa Adote Uma Praça, comunidade da QI 4 transforma um espaço abandonado em uma simpática praça

Enquanto várias áreas verdes do Guará estão cobertas de lixo e entulho, espalhados pelos próprios moradores, a praça da QI 4 está sempre limpa, florida e bem cuidada. São cinco pequenos jardins, um parquinho bem estruturado, tabela de basquete, telas nos gols da quadra, bancos, pergolados, lixeiras, árvores crescendo saudáveis e até saquinhos plásticos gratuitos para a coleta de fezes de animais. E todo esse trabalho é feito pelos próprios moradores, desde 2014. Agora, a praça da QI 4 será a primeira do Guará a entrar formalmente no projeto Adote Uma Praça, do Governo do Distrito Federal.

“Quando o morador ou o visitante encontra um equipamento público pronto, construído pelo governo, não há sentimento de que aquele bem é de todos e precisa ser cuidado. Mas, quando todos contribuem, seja com mão de obra ou uma doação pequena, todos se sentem donos da praça e passam a cuidar como cuidam da própria casa. Afinal, são os vizinhos e conhecidos que estão ali sempre investindo tempo e recursos para a proporcionar qualidade de vida à vizinhança”, explica Primo Fernandez, um dos fundadores do projeto e quem coordena parte das ações na praça. Primo é uma personalidade guaraense. Sempre inventivo, esteve à frente de várias ações culturais, iniciativas comunitárias e até invenções populares na cidade, com a faixa de pedestre inteligente da QE 13. Nos últimos anos, tem se dedicado integralmente à praça em frente à casa onde vive desde os anos 70.

Primo Fernandez e Thomaz Castro – parceria em prol de todos

Artesanalmente

A praça tem sido moldada aos poucos, artesanalmente. O próprio Primo, com a ajuda e apoio de cerca de 30 moradores, constrói as melhorias. “Com as doações, com o trabalho braçal dos próprios moradores, temos reconstruído a praça. O governo, em especial a Administração do Guará, é um grande parceiro, ao fornecer material e mão-de-obra ao nosso projeto”, explica. Neste momento, os moradores estão construindo bancos de concreto com toras de ipê. Por conta deste processo comunitário de construção, a praça tem uma personalidade muito peculiar. “Os parquinhos que vemos em todas as praças são apenas bancos de areia e brinquedos de ferro. Acreditamos que nossas crianças não devem ser tratadas como cachorros e colocadas em canis. Nosso parquinho tem mesas e cadeiras para os pais acompanharem os filhos, tem jardins, brinquedos seguros e feitos pelos próprios moradores”, completa Primo. Esta forma humanizada de pensar os equipamentos públicos permeia todos os cantos da praça. Os pergolados fornecem sombra, e em cada espaço há um pouco do esforço de todos que convivem ali. Em um pergolado sobre uma mesinha, uma caixa de som toda música durante o dia todo e serve também para os anúncios da comunidade.

 

Gestão

Com adesão ao projeto governamental Adote Uma Praça, os moradores esperam uma colaboração mais substancial do Estado. Principalmente reforço na iluminação e mais policiamento no local. “A praça é o local onde vou passear com minha cachorrinha e conviver com os vizinhos, o que está sendo feito é fundamental para que toda a comunidade viva melhor”, conta Alice Saad, moradora do local desde a fundação da quadra, em 1969. “Meu pai trabalhou na SHIS e foi a terceira pessoa a ser contemplada com uma casa aqui”, conta ela do sofá da mesma casa original, preservada e bem cuidada. Dona Alice é uma das principais parceiras do projeto. É ela quem ajuda a mobilizar os moradores em defesa do espaço. “Precisamos apenas que o governo olhe mais para o que estamos fazendo aqui. Precisamos de mais segurança, de mais equipamentos para as crianças. Precisamos de equipamentos de exercício para idosos, como existe no Guará inteiro menos aqui. Os políticos passam aqui de 4 em 4 anos e prometem investir, mas nunca voltam”, desabafa a moradora pioneira.

Dona Alice Saad e Primo Fernandez

“Precisamos efetivar uma parceria permanente com o Estado para podermos manter nossa atuação e a manutenção da praça. Somos uma grande família de amigos e vizinhos e escolheram conviver ao invés de apenas habitar um ao lado do outro. E assim vamos tocando o projeto”, explica Primo. Para ele a mentalidade de um prefeito ou representante comunitário precisa ser substituída pela ideia de formar um grupo de moradores, em um conselho comunitário, para solidariamente tocarem as questões da quadra. “A formação de um conselho visa uma distribuição de atividades e responsabilidades sem sobrecarregar ninguém e sem dar luz a pretensões pessoais”, completa. Este conselho da QI 4 está em formação e em busca de interessados em participar, segundo ele.

Projetos

Vários eventos sociais e esportivos já foram realizados na praça da QI 4 pela própria comunidade. Mas, o foco da comunidade agora é estruturar a praça e montar iniciativas permanentes, de lazer e capacitação. Os próximos passos são a construção de uma pequena pista de skate, completar a proteção da grama e dos jardins (os próprios moradores produzem os bloquetes), recuperação das calçadas (inclusive as originais em pedra portuguesa que estão sendo reconstruídas), mais lixeiras, bancos e equipamentos de ginástica.

O programa

O Adote uma Praça foi oficializado por meio do Decreto 39.690, que regulamenta a Lei nº 448, de 19 de maio de 1993, referente à adoção de praças, jardins públicos e balões rodoviários, por entidades e empresas.

O programa permite que pessoas físicas e jurídicas firmem termo de cooperação para demonstrar que adotaram um espaço público e ajudem na manutenção de áreas verdes da capital. Um dos objetivos é estimular a cooperação entre governo e moradores das áreas próximas, assim como empresários de pequeno e médio porte, além de indústrias, ampliando a cidadania e preservação desses espaços.

Para inscrever-se na escolinha Brazuquinha, da QI 4, basta entrar em contato pelo número 983405841

 

Para atrair as famílias à praça, o grupo acaba de firmar uma parceria com o a escolinha de futebol Brazuquinha Academy. Aulas de futebol para crianças de 3 a 16 anos, divididas por faixa etária, serão ministradas às terças e quintas, durante a noite, a preços populares. A Brazuquinha Academy nasceu em Brasília e hoje mantém sua sede no Rio de Janeiro, com diversas escolinhas implantadas no Distrito Federal e entorno, inclusive uma na QE 34. “Nossa parceria visa muito mais que formar jogadores de futebol, queremos contribuir para esta iniciativa, encorajando crianças e suas famílias e cuidarem melhor do espaço onde vivem e encontrar-se regularmente”, conta Wendy Luanny, instrutora que vai inaugurar a escolinha na QI 4 no dia 14 de março. “Convidamos todos os pais a conhecer o projeto e cativar em seus filhos o sentimento de pertencer a uma comunidade”.

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