Comércio fechado, comerciantes desesperados

A obrigação de fechar quase todo o comércio até dia 5 de abril preocupa os comerciantes locais, ainda que cientes da importância da medida para evitar a propagação do Coronavírus

Clene Caldas, obrigada a fechar seu salão, não sabe como vai manter as contas em dia e o pagamento de funcionários e fornecedores

A pandemia global instaurada preocupa a todos. A forma mais eficaz de evitar a rápida proliferação da doença e o colapso do sistema de saúde é o isolamento. Longe uns dos outros, a possibilidade de contaminação é remota. Mas, economicamente, o coronavírus vai causar um estrago enorme. Os pequenos e microempresários e seus funcionários, que dependem exclusivamente da renda das empresas para viver, sofrem os efeitos da quarentena.
O novo decreto do GDF amplia para o dia 5 de abril o fechamento de escolas, academias, bares e restaurantes e estabelecimentos comerciais. A decisão foi tomada a 11 dias de vencer a suspensão anterior, prevista para acabar em 30 de março. O novo decreto do governador Ibaneis Rocha (Decreto nº 40.539/2020) revoga os demais – nºs 40.520, de 14 de março de 2020; 40.522, de 15 de março de 2020; 40.529, de 18 de março de 2020; e 40.537, de 18 de março de 2020 – que tratavam separadamente do fechamento desses recintos.

Fechamento
Estão contidos neles todas as restrições impostas nos decretos anteriores. Terão de fechar as portas cinema, teatro, faculdades, das redes de ensino pública e privada, academias, museus, zoológico, parques ecológicos, recreativos, urbanos e vivenciais.
O novo decreto ampliou também a relação dos estabelecimentos que deverão fechar. Boates, casas noturnas, atendimento ao público em shoppings centers, feiras populares e clubes recreativos, shoppings centers, cultos e missas de qualquer credo ou religião, salões de beleza e centros estéticos também são obrigados a suspender suas atividades pelos próximos 17 dias.
Ficam autorizados a funcionar somente laboratórios, clínicas de saúde, farmácias e serviços de entrega em domicílio (delivery). Vale esclarecer que o descritivo “clínicas médicas” inclui as veterinárias, que funcionam normalmente. Já os chamados pet shoppings fecham as portas, mas podem realizar entregas de encomenda.

Cristiano Jales, da Feira do Guará, prevê perda de R$ 10 milhões de faturamento entre os feirantes

Comércio em desespero
Segundo levantamento do Sebrae, restaurantes e shoppings tiveram queda de 70% no faturamento durante o fim de semana passado (entre 13 e 15 de março). Segundo empresários, os micro e pequenos empreendedores foram os mais atingidos.
A marmitaria de Melina Barros tem sofrido bastante, mesmo ela que só trabalha com entregas, viu o movimento cair 86% no início da semana. “A demanda por marmitas caiu muito, mas o movimento foi se recuperando aos poucos durante a semana. Nossa preocupação hoje é com os entregadores, que não podem ficar expostos, além da disponibilidade de ingredientes e embalagens, caso o comércio feche as portas. Ainda não sabemos como vai ser nas próximas semanas”, teme a microempresária.
As pequenas empresas são a única renda de muita gente, como de Clene Caldas. “Meu salão está quase sem clientes. As pessoas que vem aqui regularmente estão com medo de sair. Não sei como vou me manter e manter quem trabalha aqui. Estamos muito preocupados”, conta Clene.
A Associação de Feirantes da Feira do Guará estima deixar de faturar R$ 10 milhões até o dia 28 de março, período em que todas as feiras precisarão estar fechadas segundo ordem do GDF. “É prejuízo para todos os feirantes, inclusive para mim, que sou feirante também. Todos perdem, mas não há o que fazer. Desde que saiu o decreto, cuidamos para retirar todos os itens perecíveis, como peixes e verduras, da feira e fechar. Agora só podemos aguardar”, explica Cristiano Jales, presidente da associação.
De acordo com a pesquisa do Sindivarejista, o prejuízo pode chegar a R$ 400 milhões até o fim deste mês. A orientação do sindicato é de que os lojistas mantenham as lojas higienizadas e que está em contato com outras entidades para solicitar o parcelamento de impostos.
“A crise não é local e sim mundial. Vamos ter que ser criativos. O momento é de cortar os gastos, enxugar tudo de supérfluo, respeitar o consumidor. É um momento de juntar forças. Empresários, consumidor, imprensa e o estado, enfim, buscar caminhos para atravessar esta crise”, pondera Deverson Lettieri, presidente da Associação Comercial do Guará (Acig). “Estou vendo um esforço muito grande de todos. Deus queira que possamos atravessar este momento com muita sabedoria e equilíbrio. O mais importanteé a conscientização do morador do Guará que precisa consumir perto de casa. Agora é uma questão de sobrevivência a valorização das empresas da nossa região”, completa.
“É um momento de união, pensamento positivo e de cuidados. Os trabalhadores informais podem sentir primeiramente o risco econômico causado por essa epidemia. A Secretaria do Trabalho ,através da Agência do Trabalhador, segue desenvolvendo maneiras para que o menor número de pessoas fique desempregadas”, explica Mayara Franco, gerente da Agência do Trabalhador do Guará.

“O mais importante é a conscientização do morador do Guará que precisa consumir perto de casa. Agora é uma questão de sobrevivência a valorização das empresas da nossa região”, diz Deverson Lettieri, presidente da Associação Comercial do Guará

Comunidade pode ajudar
Alguns serviços continuam funcionando, principalmente com entregas em casa e takeout (quando o consumidor vai apenas buscar o produto), em restaurantes, petshops e outros. É importante que a comunidade do Guará dê preferência às empresas da cidade. Comprar do pequeno comerciante é uma forma de manter a economia ativa e os empregos dentro da cidade. Mesmo que se compre de grandes redes de supermercados e alimentação, dê preferência àqueles instalados no Guará, onde geram empregos.

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