Os desafios da indústria da moda na pandemia

Para a empresária e consultora Melissa Agostini, dona de uma multimarcas feminina há 18 anos, 2020 tem disso um ano de superação constante. A empresária que começou seu negócio de forma modesta e vendendo peças trazidas de Goiânia, vivenciou diversas etapas. Criou uma marca própria, abriu uma confecção, passou a importar peças de marcas renomadas, abriu lojas em shoppings, mas foi no comércio de rua e no atendimento personalizado que se encontrou.

Com a quinta maior indústria têxtil do mundo e o quarto maior polo confeccionista de roupas, o Brasil vive um momento de esperança para a indústria da moda. Após reduzir sua produção drasticamente a partir do mês de abril, logo após o anúncio das medidas mais acirradas de distanciamento, o setor reinventou-se e, os que apostaram no e-commerce conseguiram transpor o momento mais crítico.

De acordo com Marcelo Prado, diretor da Inteligência de Mercado (IEME), em abril de 2020 a produção de vestuário no Brasil caiu mais de 90%, impactando diretamente nas vendas, que indicaram um déficit de 70%.

No Distrito Federal, os impactos da crise e a nova tendência de vendas também foi sentida pelos empresários do setor. Para muitos lojistas e donos de confecções os meses de confinamento foram cruéis e as demissões e fechamento de lojas foram inevitáveis, mas há quem tenha conseguido driblar as dificuldades.

Mesmo com as portas fechadas por um longo período, orgulha-se de ter conseguido manter todos os funcionários empregados. Para ela, que já oferecia serviços de consultoria e vendas personalizadas, o segredo está no tratamento exclusivo ofertado a cada cliente e na fidelização de um público exigente.

“Tenho clientes que me acompanham a anos e que prezam por um atendimento personalizado. É muito fácil, e até mais econômico, comprar pela internet, em sites específicos, mas mais que vender roupas, oferecemos um serviço de consultoria e tratamos nossas clientes como amigas, não como números, creio que esse seja o diferencial”, explicou.

Segundo a lojista, que também atua em outros segmentos, foi preciso adequar-se à realidade e, em um curto espaço de tempo, evoluir num serviço até então oferecido a uma parcela muito pequena de clientes. Mais que vender pela internet, era preciso oferecer uma consultoria eficiente, entregar as peças de forma segura e adequar os looks.

“O primeiro momento foi de baixa, afinal de contas, quem compra roupa nova para ficar dentro de casa? Além do mais, ninguém acreditava que ficaríamos tanto tempo reclusos. Aos poucos a rotina do teletrabalho, as pequenas reuniões e a abertura dos restaurantes foram mudando esse cenário. As pessoas eram vistas, mesmo que pela internet, e não queriam aparecer de qualquer forma. Muitas tiveram que adaptar o guarda rupas para trabalhar de casa”, revelou.

De acordo com Melissa Agostini, as pessoas estavam ansiosas para fazer algo diferente e com a reabertura de bares e restaurantes, isso tornou-se real. Contudo, não queriam ir para a rua de qualquer jeito. Sem contar que, infelizmente, deixar as atividades físicas de lado e ter por perto a geladeira, deu uma encolhida nas roupas de muita gente.

“Incrementamos nosso serviço de consultoria e vendas on-line. Mandávamos tudo higienizado e buscávamos aquilo que não interessava a nossas clientes. Mesmo com a reabertura, muitas pessoas têm medo de sair e gostaram do serviço que oferecemos. Vamos continuar com esse modelo de vendas. Na verdade, já oferecíamos, apenas tivemos que intensificar o processo. E a verdade é que, dentro ou fora de casa, mulher gosta de estar bonita”, concluiu.

Mudanças de hábito dos consumidores, uma nova realidade global e o desemprego afetaram em cheio o comércio mundial. Mas, com criatividade e perseverança, a expectativa para o setor da moda é recobrar, a partir de 2021, parte do espaço de destaque que sempre teve na economia. Até lá, é vencer um dia por vez e fazer do limão uma limonada!

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